top of page
Buscar

Natal iluminado, contas apagadas: os R$ 5 milhões que a Fundação Cultura não explica

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 3 de jan.
  • 2 min de leitura

A decoração natalina de Barra Mansa em 2025 impressionou pelo volume, pela grandiosidade e pela ocupação de espaços públicos estratégicos da cidade. Árvores gigantes, pontes iluminadas, cenários temáticos e atrações espalhadas pela região central ajudaram a construir a narrativa de um “Natal histórico”. O que não acompanhou o brilho das luzes, no entanto, foi a transparência sobre os gastos públicos envolvidos na iniciativa.


Estimado em cerca de R$ 5 milhões, o investimento na decoração segue cercado de silêncio por parte da Fundação Cultura, presidida por Alexandre Caneda. Até o momento, não foram apresentados de forma clara e detalhada os contratos firmados, os critérios adotados, os valores individualizados nem as empresas beneficiadas. Para um montante dessa magnitude, a ausência de informações públicas levanta questionamentos legítimos.


Não se trata de negar o valor simbólico do Natal ou o impacto visual das intervenções urbanas. Trata-se de compreender como recursos públicos foram aplicados, especialmente em um município que enfrenta demandas permanentes nas áreas de saúde, infraestrutura, educação e serviços básicos. O discurso institucional, baseado em encantamento, turismo e memória afetiva, não substitui a obrigação legal de prestar contas.


O presidente da Fundação Cultura tem sido pródigo em declarações elogiosas ao resultado final, mas econômico quando o assunto é detalhamento financeiro. O cidadão que paga impostos não tem acesso a respostas simples: quanto custou cada estrutura? Houve licitação? Quais empresas executaram os serviços? Houve aditivos? Os preços praticados seguem valores de mercado?


A transparência não é um favor da administração pública, é um dever. Quando informações básicas não são apresentadas espontaneamente, abre-se espaço para desconfiança, desgaste institucional e questionamentos que poderiam ser evitados com dados objetivos e acessíveis.


Barra Mansa pode, sim, celebrar o Natal, investir em cultura e ocupar seus espaços públicos. O que não pode é tratar milhões de reais como detalhe secundário, embalado por luzes, discursos e agradecimentos. O brilho das decorações não pode servir para ofuscar a clareza das contas.


Se o Natal foi histórico, como sustenta a Fundação Cultura, que a prestação de contas também seja. Porque, em uma cidade democrática, o encantamento não pode caminhar separado da responsabilidade.

Foto Divulgação


 
 
 

Comentários


bottom of page