Natal Político ou Natal de Barulho? Segurança Pública de Volta Redonda Reage aos “Rolezinhos” com Medidas Reativas
- Marcus Modesto
- 18 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Enquanto o período natalino se aproxima, as autoridades de Volta Redonda anunciam uma mobilização das forças de segurança pública para combater os chamados “rolezinhos” de motocicletas — fenômeno em que grupos de motociclistas circulam em comboio, em desacordo com as leis de trânsito e perturbando o sossego coletivo. A operação promete início na véspera de Natal e seguirá até o fim de ano, com foco ostensivo em patrulhamento e monitoramento integrado de inteligência.
A estratégia, segundo o secretário municipal de Ordem Pública, Coronel Henrique, se baseia na ocupação de áreas “estratégicas” e no uso de inteligência policial para antecipar possíveis aglomerações. Denúncias serão recebidas por meio de canais tradicionais como 153, 190 e Disque-Denúncia, reforçando a narrativa de que a população deve “colaborar” com o trabalho policial para garantir o sucesso da operação.
No entanto, a dependência exclusiva de medidas reativas — mais patrulhas, mais notificações, mais policiamento ostensivo — levanta questões sobre a eficácia dessa abordagem em longo prazo. Em outras cidades, ações semelhantes contra motos barulhentas e rolezinhos acabam sendo episódicas e se repetindo ano após ano sem atacar as causas estruturais que levam jovens a se organizar em eventos desse tipo.
Além disso, a ênfase quase exclusiva em repressão ignora outros aspectos essenciais de segurança viária. Estudios nacionais destacam que sinistros envolvendo motos permanecem elevados e que políticas de prevenção, educação e infraestrutura têm papel central na redução de acidentes e na integração segura dos motociclistas ao trânsito.
A população, por sua vez, observa que, mesmo com promessas de “tolerância zero”, ninguém quer viver refém de roncos de escapamentos nem de operações policiais pontuais. O que se espera são políticas públicas consistentes que unam fiscalização, educação no trânsito, espaços públicos de convivência e oportunidades culturais para que esses encontros não se transformem em transtorno coletivo e risco à vida.




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