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O Brasil que se diz “classe média” com R$ 3,4 mil: piada pronta ou retrato da desigualdade?

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 25 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

XxEm um país onde mais da metade das famílias se considera “classe média” apenas por ter uma renda mensal acima de R$ 3.400, é inevitável se perguntar: isso é uma categoria socioeconômica ou só um consolo? Afinal, se ganhar R$ 5 mil te coloca na porta da classe média, ainda te deixa bem longe do camarote dos mais ricos — aquele reservado para quem recebe mais de R$ 27 mil, segundo a FGV.


Agora, respira fundo: para entrar no grupo dos super-ricos, é preciso embolsar quase R$ 95 mil por mês. Sim, isso mesmo. Porque quem vive no topo da pirâmide social não apenas ganha bem — precisa sustentar padrões que incluem o seguro do jatinho e a manutenção da mansão pé na areia num condomínio fechado da Bahia.


Enquanto isso, a renda média do trabalhador brasileiro chegou a R$ 3.457 em junho de 2025, o maior valor em mais de uma década. Um número que, na realidade brasileira, passou a ser comemorado. A economia cresceu 3% em relação ao início do ano, o desemprego ficou em 6,2% e o país registra mais de 37 milhões de trabalhadores com carteira assinada.


Quantas classes sociais existem no Brasil e como são medidas?


A confusão começa na hora de definir quem é quem nesse abismo social. O FGV Ibre propõe dividir a população em três grandes blocos de 70 milhões de pessoas: baixa, média e alta renda. A “classe média”, nessa lógica, seria quem tem renda per capita de até R$ 880, e a “classe alta” começa a partir de R$ 1.761 per capita.


Parece pegadinha, mas é sério. Por essa métrica, os “super-ricos” teriam uma renda per capita a partir de R$ 3.525. Especialistas apontam, no entanto, que esses critérios ignoram desigualdades regionais profundas e o fosso entre os extremos da pirâmide social.


Já a Tendências Consultoria prefere trabalhar com renda familiar total. A divisão por esse critério é:

Classe D/E: até R$ 3.500

Classe C: de R$ 3.400 a R$ 8.100

Classe B: de R$ 8.100 a R$ 25.200

Classe A: acima de R$ 25.200


Outra abordagem, usada pelo IBGE, trabalha com salários-mínimos. Em 2025, com o salário fixado em R$ 1.518:

Classe A: acima de 20 salários (mais de R$ 30 mil)

Classe B: entre 10 e 20 (R$ 15.180 a R$ 30.360)

Classe C: entre 4 e 10 salários (R$ 6.072 a R$ 15.180)


Afinal, a renda média está melhorando?


Sim. Em junho, o trabalhador brasileiro atingiu a maior renda média mensal em mais de dez anos. O número reflete o crescimento do PIB, a recuperação do mercado de trabalho e o aumento do emprego formal. O Brasil atingiu 37 milhões de trabalhadores com carteira assinada, acompanhando a queda do desemprego.


Mas essa é só parte da história.


Geografia da renda: o CEP pesa (e muito)


O último Mapa da Riqueza da FGV Social, baseado em dados do Imposto de Renda, mostra o tamanho do abismo regional. No Lago Sul (DF), a renda média dos declarantes chega a R$ 39.535. Já a média por habitante na região é de R$ 23.141. No outro extremo, em Ipixuna do Pará, a renda per capita não passa de R$ 71 mensais.


É como se o país vivesse em duas realidades paralelas — e em alguns casos, vive mesmo.


Rio de Janeiro: a cidade partida em dados


Na capital fluminense, o mapa da renda mostra uma cidade dividida. Na Lagoa, a renda per capita ultrapassa os R$ 4.300, e tudo parece feito para elite: anúncios de bancos exclusivos, escolas bilíngues, restaurantes com nome em francês. Mas a poucos quilômetros dali, em favelas como a Maré, a renda despenca para R$ 395.


A ironia escorre pelas ladeiras: dizer que mora “perto da Gávea” pode soar chique, mas esse “perto” pode ser também a Rocinha, onde a renda média rivaliza com o valor do condomínio de um apartamento-padrão na Zona Oeste.


O Rio é o retrato perfeito dessa contradição nacional. Uma cidade onde o luxo e o perrengue moram na mesma rua. E a renda per capita só escancara esse abismo.



 
 
 

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