O grande desafio da eleição: conquistar o jovem que não quer votar no Sul Fluminense
- Marcus Modesto
- há 5 horas
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Marcus Modesto
A eleição de 2026 coloca os candidatos de Barra Mansa e de todo o Sul Fluminense diante de um desafio que pode ser decisivo nas urnas: conquistar o eleitor jovem e, principalmente, convencê-lo a comparecer para votar.
Os números ajudam a dimensionar o problema.
Levantamento do Instituto Nexus, com base em dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que o eleitorado brasileiro está envelhecendo rapidamente. Entre 2010 e 2026, o número de eleitores de 16 a 24 anos caiu 22%. A participação dessa faixa etária no eleitorado passou de 18,2% para 12,5% no período.
E o cenário fica ainda mais interessante quando se olha para a presença nas urnas.
Nas eleições de 2022, entre os eleitores de 18 a 24 anos, faixa em que o voto é obrigatório, o comparecimento foi de 78,5%. Isso significa que 21,5% não compareceram às urnas. A média nacional de comparecimento naquele primeiro turno foi de 79,1%, equivalente a uma abstenção de 20,9%. Ou seja, os jovens de 18 a 24 anos ficaram ligeiramente acima da média nacional de abstenção.
Entre os jovens de 16 e 17 anos, que têm voto facultativo, o comparecimento foi de 82,9% em 2022.
Os números mostram, portanto, que existe um eleitorado jovem relevante, mas também revelam uma dificuldade para as campanhas: uma parcela importante desse público simplesmente não aparece na urna.
E é justamente aí que pode estar uma das grandes batalhas eleitorais de 2026 no Sul Fluminense.
Em Barra Mansa, um dos principais centros eleitorais da região, a disputa por vagas na Assembleia Legislativa já reúne nomes conhecidos. Marcelo Cabeleireiro (PSD), ex-deputado estadual, volta ao cenário eleitoral em busca de uma cadeira na Alerj. Rodrigo Drable (Solidariedade), ex-prefeito de Barra Mansa, também disputa uma vaga de deputado estadual. Márcio Maggi (Republicanos) completa o grupo de nomes da cidade que mira o Legislativo estadual.
Na corrida pela Câmara dos Deputados, Barra Mansa também terá candidatos tentando conquistar espaço em Brasília: Bruno Marini (União Brasil), Gilmar Lelis (PSD) e Thiago Valério (PDT).
Seis nomes, seis estratégias e um mesmo desafio: convencer o eleitor do Sul Fluminense a votar.
E talvez o eleitor mais difícil de conquistar seja justamente aquele que não está interessado na eleição.
O jovem pode acompanhar tudo pelas redes sociais, comentar política, reclamar dos problemas da cidade e discutir o futuro do país, mas transformar essa participação em presença na urna é outra história.
O levantamento da Nexus mostra ainda uma mudança estrutural que as campanhas não podem ignorar: em 2026, os eleitores com 60 anos ou mais representam 23,2% do eleitorado brasileiro, praticamente o dobro da participação dos jovens de 16 a 24 anos, que somam 11,9%. Desde 2010, o eleitorado 60+ cresceu 74%, enquanto o eleitorado total aumentou 15%.
É uma mudança gigantesca no mapa eleitoral brasileiro.
E o Sul Fluminense não está fora dessa transformação demográfica. A região reúne municípios com perfis eleitorais diferentes, como Barra Mansa, Volta Redonda, Resende, Barra do Piraí, Itatiaia, Pinheiral, Porto Real, Quatis, Piraí e outras cidades. Para os candidatos que pretendem conquistar votos na região, entender as diferentes faixas etárias e seus comportamentos eleitorais será fundamental.
Isso significa que os candidatos terão de disputar dois públicos muito diferentes.
De um lado, um eleitorado mais velho, numeroso e tradicionalmente mais presente nas eleições. De outro, uma geração mais jovem, proporcionalmente menor e com uma parcela que não comparece às urnas.
Para os candidatos do Sul Fluminense, conquistar o jovem será, portanto, uma tarefa estratégica.
Marcelo Cabeleireiro terá de apresentar ao eleitor o que pretende fazer em um eventual retorno à Alerj. Rodrigo Drable terá de enfrentar os questionamentos relacionados à sua trajetória política e aos processos que envolvem seu nome. Márcio Maggi precisará conquistar espaço em uma disputa que terá concorrentes conhecidos.
Na eleição para deputado federal, Bruno Marini, Gilmar Lelis e Thiago Valério terão a mesma missão: mostrar por que o eleitor de Barra Mansa e de outras cidades do Sul Fluminense deve escolher um representante da região para ocupar uma das cadeiras do Congresso Nacional.
Mas nenhum deles poderá simplesmente esperar que o jovem vá até a urna.
Será necessário convencê-lo de que vale a pena votar.
E para isso não basta o velho discurso de campanha, a foto com lideranças políticas ou a promessa genérica de “lutar pela região”.
O jovem quer saber de emprego, primeiro salário, segurança, transporte, educação, cursos profissionalizantes, faculdade, tecnologia, empreendedorismo e oportunidades.
Quer saber se existe futuro para ele na própria cidade e na própria região.
Quer saber o que aquele candidato pretende fazer de concreto.
Por isso, a eleição de 2026 poderá ser menos sobre quem consegue falar mais alto e mais sobre quem consegue ser ouvido por quem está cansado de ouvir política.
O desafio de Marcelo Cabeleireiro, Rodrigo Drable, Márcio Maggi, Bruno Marini, Gilmar Lelis, Thiago Valério e dos demais candidatos que disputarão votos no Sul Fluminense não será apenas conquistar votos.
Será transformar desinteresse em participação.
Porque os números mostram que uma parcela importante dos jovens não compareceu às urnas na última eleição nacional. E, em uma disputa apertada, alguns milhares de eleitores que decidirem votar — ou não votar — podem fazer uma diferença enorme.
No fim das contas, a pergunta que pode decidir a eleição no Sul Fluminense não será apenas:
“Em quem você vai votar?”
Será outra, ainda mais importante:
“Você vai votar?”
Quem conseguir transformar esse “não sei”, esse “tanto faz” ou esse “não vou” em um “vou para a urna” poderá estar conquistando um dos votos mais importantes da eleição de 2026.
Foto Arquivo




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