O retorno calculado de Eduardo Bolsonaro e os riscos de um protagonismo forçado
- Marcus Modesto
- 14 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
O possível retorno antecipado de Eduardo Bolsonaro ao Brasil, ventilado em conversas com políticos nos Estados Unidos, marca um novo capítulo da estratégia bolsonarista para 2026 — um tabuleiro que ainda está longe de ser definido, mas que já revela as tensões internas e os cálculos de risco de seus principais jogadores.
A volta de Eduardo, que até pouco tempo era esperada apenas no aquecimento da campanha eleitoral, sinaliza não apenas uma movimentação tática do clã Bolsonaro, mas também um possível sinal de desgaste do exílio político informal que ele próprio escolheu. A ideia de se preservar nos Estados Unidos enquanto o cenário jurídico e político se estabilizava parece estar perdendo fôlego diante da urgência de reorganizar o campo da direita no Brasil, cada vez mais disperso e dependente de figuras que consigam dialogar com bases internas e externas.
O problema é que, ao tentar assumir esse papel de articulador e herdeiro político do pai, Eduardo se vê preso entre o discurso radical que sustenta sua base — especialmente o núcleo mais ligado ao trumpismo e à retórica contra o Supremo Tribunal Federal — e a realidade jurídica que o aguarda no Brasil. A sombra do ministro Alexandre de Moraes ainda pesa fortemente sobre seus planos, e o receio de medidas cautelares, como a apreensão de seu passaporte, segue sendo um entrave real.
É sintomático que, mesmo no exterior, Eduardo siga centrado em uma agenda de provocação institucional, apostando em ataques verbais ao STF e em gestos de alinhamento com a extrema-direita americana. O problema dessa estratégia é que ela se esgota em si mesma: não produz efeitos concretos no Brasil e, tampouco, assegura sua relevância política no exterior. Sua aposta na influência de Donald Trump também carece de solidez, especialmente em um momento em que o próprio futuro político de Trump é incerto.
Se decidir antecipar seu retorno, Eduardo Bolsonaro enfrentará um cenário complexo: precisará reconstruir pontes no Congresso, lidar com o cerco jurídico e ainda disputar protagonismo dentro de um movimento bolsonarista que já não é tão coeso quanto em 2018. Sua volta pode até mobilizar setores da base, mas dificilmente trará estabilidade — nem ao grupo político que representa, nem ao próprio país, que segue lidando com as feridas institucionais deixadas pelo radicalismo da última década.
O retorno, portanto, pode ser mais do que uma estratégia eleitoral: pode ser um lance arriscado de alguém que não quer ser lembrado apenas como o filho que ficou nos bastidores enquanto o pai e seus aliados enfrentavam os tribunais e a história. Mas querer protagonismo não é o mesmo que estar preparado para ele. E, neste momento, Eduardo parece mais movido por urgência política do que por estratégia
Foto Agência Brasil




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