OMS eleva alerta para ebola e especialistas descartam risco elevado de surto no Brasil
- Marcus Modesto
- 21 de mai.
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A Organização Mundial da Saúde elevou o nível de alerta internacional para o surto de ebola que atinge a República Democrática do Congo e Uganda, após o aumento de casos e mortes suspeitas registrados nas últimas semanas. A classificação representa o mais alto grau de atenção sanitária da entidade diante do avanço da doença.
Segundo dados divulgados pela OMS, o surto já se aproxima de 600 casos, com cerca de 140 mortes suspeitas. Apesar da preocupação internacional, especialistas brasileiros avaliam que a possibilidade de transmissão ampla no Brasil permanece reduzida.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a situação ainda não configura uma pandemia global, mas alertou para a rápida disseminação do vírus em regiões marcadas por conflitos armados e dificuldades estruturais no sistema de saúde.
De acordo com infectologistas ouvidos pela imprensa nacional, o principal fator que reduz o risco de propagação internacional do ebola é a forma de transmissão da doença. Diferentemente da Covid-19 e da gripe, o vírus não se espalha pelo ar. O contágio ocorre por contato direto com sangue, secreções e fluidos corporais de pessoas infectadas.
Especialistas destacam que, embora casos importados possam ocorrer em diferentes países, a capacidade de transmissão é muito menor do que a observada em doenças respiratórias.
A situação passou a gerar maior atenção após o registro de casos em Uganda envolvendo viajantes vindos do Congo. Outro ponto considerado preocupante é a circulação da variante Bundibugyo, para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos específicos disponíveis.
A presença do vírus em áreas urbanas e o elevado número de profissionais de saúde infectados também contribuíram para a decisão da OMS de decretar emergência internacional. Em regiões como a província de Ituri, no Congo, conflitos armados têm dificultado ações de vigilância epidemiológica e isolamento de pacientes.
No Brasil, especialistas defendem reforço nos protocolos de monitoramento de viajantes procedentes das áreas afetadas. Entre as medidas consideradas essenciais estão identificação rápida de casos suspeitos, isolamento imediato e rastreamento de contatos.
A infectologista Rosana Richtmann ressalta que o período de incubação do ebola varia entre dois e 12 dias e que pessoas infectadas sem sintomas ainda não transmitem o vírus. Ela lembra que pacientes em estado avançado dificilmente conseguiriam realizar viagens internacionais, mas afirma que manter planos de contingência ativos continua sendo fundamental.
Para os especialistas, a experiência acumulada em surtos anteriores mostra que respostas rápidas das autoridades sanitárias são capazes de impedir cadeias de transmissão e evitar a disseminação global da doença.




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