Onde estão as mulheres negras nos eventos oficiais da Prefeitura de Barra Mansa?
- Marcus Modesto
- 9 de mar.
- 2 min de leitura
Em mais uma programação organizada pela Prefeitura de Barra Mansa em alusão ao Dia Internacional da Mulher, o discurso institucional voltou a falar de cuidado, saúde e valorização feminina. O evento “Cuidar de quem cuida: A saúde da mulher ao longo da vida” reuniu participantes no Centro de Convivência da Igreja Dinamus, no bairro Ano Bom, com atividades de orientação médica, palestras e exercícios físicos.
Na teoria, a proposta é importante. Na prática, porém, surge uma pergunta incômoda: onde estão as mulheres negras nesses espaços?
Barra Mansa é uma cidade com forte presença da população negra, especialmente nas comunidades e bairros populares. São mulheres negras que sustentam famílias, trabalham em jornadas exaustivas, enfrentam desigualdade salarial, dificuldades no acesso à saúde e ainda carregam o peso histórico da exclusão social. Mesmo assim, raramente aparecem como protagonistas nos eventos oficiais.
Quando se observa a composição dessas atividades institucionais, a sensação que fica é de que muitas vezes os encontros são formados por um público restrito, repetido, distante da realidade das mulheres negras que vivem nas periferias da cidade.
O debate sobre saúde feminina precisa considerar também as desigualdades raciais. Estudos mostram que mulheres negras têm maior risco de mortalidade materna, enfrentam mais barreiras no acesso a exames e tratamento e convivem com impactos sociais que afetam diretamente a qualidade de vida.
Mesmo com discursos sobre inclusão e diversidade, a pergunta continua ecoando: quem está sendo representada nesses eventos?
A programação contou com a presença da vice-prefeita e secretária da Pessoa com Deficiência, Luciana Alves, que falou sobre valorização da mulher e autocuidado. Mas falar de valorização feminina também significa reconhecer as desigualdades existentes e abrir espaço real para quem historicamente ficou à margem.
Em uma cidade marcada pela diversidade, não basta falar de mulher de forma genérica. É preciso enxergar a realidade das mulheres negras — que continuam sendo maioria nas estatísticas da desigualdade e minoria nos espaços de visibilidade institucional.
Foto Divulgação




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