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ONG ligada à produtora de filme sobre Bolsonaro apresenta R$ 16,5 milhões em notas fiscais irregulares em contrato de wi-fi em São Paulo

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 20 de mai.
  • 3 min de leitura

Investigado pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, o Instituto Conhecer Brasil apresentou ao menos R$ 16,5 milhões em documentos fiscais considerados irregulares na prestação de contas do contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para implantação de pontos de wi-fi gratuito em comunidades da capital paulista.


A entidade é comandada pela jornalista e empresária Karina Ferreira da Gama, também proprietária da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.


De acordo com levantamento divulgado pelo portal g1, os documentos entregues pela ONG à prefeitura incluem notas fiscais canceladas, recibos sem validade tributária e até notas emitidas pela própria entidade para ela mesma.


Faturas sem validade fiscal levantam suspeitas


Um dos principais pontos questionados envolve a contratação da empresa Make One Tecnologia Digital Ltda., responsável pela locação de equipamentos utilizados no programa de internet gratuita.


Segundo a investigação, a ONG utilizou quatro faturas sem registro fiscal para justificar despesas de aproximadamente R$ 8,5 milhões. Os documentos não constavam no sistema eletrônico da Prefeitura de São Paulo e não apresentavam comprovação de recolhimento de tributos municipais.


As faturas chamaram atenção ainda pela numeração sequencial e pela emissão em datas semelhantes, embora com valores distintos.


Karina Ferreira da Gama afirmou ao g1 que desconhecia possíveis cancelamentos ou inconsistências nos documentos apresentados.


Notas canceladas foram incluídas em prestação de contas


Outra frente da investigação envolve a empresa Complexsys Soluções Integradas Ltda., ligada ao empresário André Feldman.


A companhia emitiu uma nota fiscal de R$ 2 milhões referente a supostos serviços técnicos. Entretanto, registros oficiais mostram que o documento foi cancelado no mesmo dia da emissão. Mesmo assim, a nota acabou sendo utilizada na prestação de contas entregue pela ONG à prefeitura.


André Feldman também aparece associado ao deputado federal Mario Frias, que atua como produtor-executivo do filme “Dark Horse”.


Além da Complexsys, outras notas fiscais canceladas foram identificadas envolvendo a empresa JR Feijão Ltda., contratada para aluguel de equipamentos. Segundo a reportagem, os documentos cancelados ultrapassam R$ 406 mil.


Parecer técnico aponta irregularidades graves


A análise técnica da Secretaria Municipal de Tecnologia identificou ainda pagamentos duplicados e emissão de notas fiscais da própria ONG para ela mesma, prática considerada irregular pela administração municipal.


Segundo parecer assinado por técnicos da pasta em fevereiro de 2026, os problemas encontrados comprometem a regularidade da execução financeira do contrato e configuram descumprimento da legislação que regula parcerias entre organizações sociais e o poder público.


Mesmo diante das inconsistências, a Prefeitura de São Paulo aprovou as contas com ressalvas e condicionou a continuidade do contrato à devolução de aproximadamente R$ 930 mil aos cofres municipais.


A prefeitura informou que os valores foram devolvidos integralmente e que o programa segue em funcionamento, com cerca de 3.200 pontos de wi-fi já instalados.


Contrato com empresa ligada a empresário preso também é investigado


A investigação também alcança um contrato de R$ 12 milhões firmado entre o Instituto Conhecer Brasil e a empresa Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda.


O empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, proprietário da empresa, está preso desde fevereiro acusado de feminicídio.


Segundo a reportagem, o primeiro contrato apresentado pela ONG identificava o empresário apenas como “Alex”, sem sobrenome ou documentação completa. Posteriormente, a composição societária da empresa foi alterada.


Karina Ferreira da Gama afirmou não reconhecer o contrato sem identificação completa e sugeriu possibilidade de fraude documental. Entretanto, o documento foi localizado em arquivos utilizados pela própria entidade para envio das prestações de contas à prefeitura.


Prefeitura rebate suspeitas


Em nota, a gestão do prefeito Ricardo Nunes afirmou que não há decisão definitiva apontando irregularidades estruturais no contrato e destacou que o programa de internet gratuita continua em operação.


A administração municipal também rejeitou qualquer relação entre o contrato do Instituto Conhecer Brasil e a produção do filme sobre Jair Bolsonaro.


Segundo a prefeitura, o projeto cinematográfico não recebeu recursos públicos municipais e qualquer associação entre as duas iniciativas seria “descabida”.



 
 
 

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