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ONU abre debate sobre como os mapas influenciam a visão que temos do mundo

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
6 de set.
2 min de leitura

A forma como os continentes aparecem nos mapas pode estar muito mais ligada à história e à política do que parece. A discussão ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (4), quando a Assembleia Geral da ONU aprovou uma iniciativa para incentivar representações cartográficas consideradas mais proporcionais às dimensões reais das regiões do planeta.


A decisão foi tomada por ampla maioria: 164 países votaram a favor, enquanto os Estados Unidos foram o único país a se posicionar contra. Outros seis países se abstiveram.


A proposta, batizada de “Corrija o mapa”, foi conduzida pelo Togo e recebeu apoio de outros países africanos. O objetivo é estimular a substituição gradual de representações baseadas exclusivamente na tradicional projeção de Mercator por modelos que reduzam as diferenças de proporção entre os continentes.


Um mapa que ficou famoso por uma razão específica


Criada no século 16 pelo cartógrafo Gerardus Mercator, a projeção que leva seu nome foi desenvolvida principalmente para facilitar a navegação. Seu grande problema é conhecido: quanto mais distante uma região está da linha do Equador, maior tende a ser sua representação no mapa.


Assim, territórios próximos aos polos aparecem muito maiores do que realmente são. A Groenlândia, por exemplo, pode parecer visualmente próxima do tamanho da África em determinados mapas, embora o continente africano seja várias vezes maior.


A questão levantada agora pela ONU não é simplesmente trocar um desenho por outro. O debate envolve como uma representação visual pode influenciar a maneira como sociedades inteiras enxergam o planeta.


África quer mudar a imagem construída ao longo dos séculos


Para os países africanos que defenderam a proposta, a questão ganhou dimensão histórica. A representação exagerada das áreas do Norte global, segundo seus argumentos, ajudou a consolidar durante gerações uma percepção distorcida sobre a importância territorial de diferentes regiões.


O ministro das Relações Exteriores do Togo, Robert Dussey, afirmou antes da votação que a decisão representa uma defesa da “verdade científica” e também da igualdade entre os povos.


A proposta apresentada à Assembleia Geral sustenta que mapas utilizados em escolas, meios de comunicação, documentos oficiais e plataformas digitais não são neutros do ponto de vista cultural: eles ajudam a formar referências sobre tamanho, distância, importância e localização dos territórios.


Uma nova maneira de enxergar o planeta


Entre as alternativas defendidas está a projeção Equal Earth, ou “Terra Igual”, desenvolvida justamente para apresentar as áreas dos continentes de maneira mais proporcional às suas dimensões reais, embora, como toda projeção plana de uma esfera, também envolva escolhas e compromissos cartográficos.


A iniciativa aprovada pela ONU não significa que todos os mapas do mundo serão substituídos imediatamente. A expectativa é que governos, escolas, organismos internacionais e outras instituições considerem modelos mais proporcionais em futuras representações.


No fundo, a discussão vai muito além da cartografia. Mudar o mapa significa também questionar imagens do mundo que foram repetidas durante séculos.


A mensagem defendida pelos países africanos é direta: se os mapas ajudam a construir o imaginário coletivo, representar melhor o tamanho dos continentes também pode ser uma forma de construir uma visão mais equilibrada do planeta.




 
 
 

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