Onça-parda é flagrada em raro comportamento territorial no Parque dos Três Picos
- Marcus Modesto
- 30 de mar.
- 2 min de leitura
Um registro inédito chamou a atenção de pesquisadores e ambientalistas na Região Serrana do Rio. Na última terça-feira (17), uma onça-parda (Puma concolor) foi capturada em uma cena pouco comum no Parque Estadual dos Três Picos, em Nova Friburgo. As imagens, feitas por uma câmera trap instalada pelo projeto Aventura Animal em parceria com o Instituto Estadual do Ambiente, revelam o animal em pleno comportamento de marcação de território.
No vídeo, o felino aparece executando o chamado “scrap”, um hábito típico da espécie, mas raramente documentado na região. A onça utiliza as patas traseiras para cavar o solo, urina no local e, em seguida, chega a se deitar ali mesmo — um ritual que serve como sinalização para outros indivíduos. Durante a gravação, também é possível notar um ferimento no corpo do animal, algo considerado comum em machos adultos, geralmente associado a disputas territoriais ou até confrontos durante a caça.
Segundo o presidente do Instituto Estadual do Ambiente, Renato Jordão, o flagrante reforça a eficácia das ações de preservação ambiental. O monitoramento com armadilhas fotográficas permite acompanhar não apenas a presença da fauna, mas também indicadores importantes sobre o equilíbrio ecológico da região.
A onça-parda é um dos mamíferos de maior distribuição no continente americano, ocorrendo desde o Alasca até a Patagônia. Animal solitário por natureza, raramente é visto em grupo — exceto em situações envolvendo fêmeas e seus filhotes. Embora a marcação de território seja um comportamento recorrente da espécie, este tipo de registro ainda não havia sido documentado em Nova Friburgo.
Conhecida também como suçuarana ou leão-baio, a Puma concolor é o segundo maior felino das Américas, ficando atrás apenas da onça-pintada. Como predadora no topo da cadeia alimentar, exerce papel essencial no controle populacional de outras espécies, contribuindo diretamente para a manutenção do equilíbrio dos ecossistemas da Mata Atlântica.
O Parque Estadual dos Três Picos, onde ocorreu o registro, é a maior unidade de conservação estadual do Rio de Janeiro, com cerca de 65 mil hectares. A área abrange trechos de municípios como Teresópolis, Guapimirim, Cachoeiras de Macacu e Silva Jardim, consolidando-se como um dos principais refúgios da biodiversidade fluminense.
Foto Reprodução




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