Operação da PF mira suposta rede bilionária de lavagem de dinheiro ligada ao tráfico internacional
- Marcus Modesto
- 3 de jul.
- 3 min de leitura
A Polícia Federal realizou nesta sexta-feira (3) a Operação Exchange, uma ofensiva destinada a desarticular um grupo suspeito de atuar na lavagem de dinheiro oriundo do tráfico internacional de drogas. A ação ocorre poucos dias após o governo dos Estados Unidos anunciar sanções econômicas contra brasileiros e empresas apontados como integrantes de uma estrutura financeira supostamente vinculada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Por determinação da Justiça, foram expedidos 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão em imóveis localizados na capital paulista, em Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Até o início da tarde, sete pessoas haviam sido presas.
Entre os detidos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, incluída recentemente na lista de sanções do Departamento do Tesouro norte-americano. Já o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, também alvo das medidas impostas pelos Estados Unidos, não foi localizado e é considerado foragido.
A Justiça também autorizou o bloqueio de bens, valores e criptoativos dos investigados, com limite estimado em R$ 10,4 bilhões.
Estrutura financeira sob investigação
Segundo a Polícia Federal, a organização investigada utilizava diferentes mecanismos para ocultar a origem dos recursos. As apurações apontam para o uso de criptomoedas, movimentações bancárias de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e operações realizadas entre pessoas físicas e jurídicas.
De acordo com os investigadores, o esquema teria sido montado para dificultar o rastreamento dos recursos e dar aparência de legalidade a valores obtidos em atividades criminosas.
Os envolvidos poderão responder por crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, caso as suspeitas sejam confirmadas durante o andamento do processo.
Empresário é apontado como elo financeiro
Victor Henrique de Oliveira Shimada aparece como um dos principais alvos da investigação. Sócio da Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., ele também possui participação societária em uma empresa sediada em Portugal.
Em comunicado divulgado nesta semana, autoridades dos Estados Unidos afirmaram que Shimada teria desempenhado papel relevante na movimentação de recursos ilícitos entre traficantes internacionais e integrantes do PCC. Segundo o governo norte-americano, mais de US$ 30 milhões teriam sido transferidos utilizando criptomoedas para beneficiar integrantes da facção no Brasil.
Apesar das acusações feitas pelas autoridades americanas, as investigações conduzidas no Brasil não apontam, até o momento, que o empresário integre formalmente a organização criminosa. O foco das apurações nacionais está em movimentações financeiras consideradas suspeitas e em relações comerciais com pessoas e empresas citadas em outras investigações sobre o PCC.
Conexão com o caso VaideBet
O nome de Victor Shimada também aparece nas investigações relacionadas ao contrato de patrocínio firmado entre o Corinthians e a empresa de apostas VaideBet.
Conforme denúncia apresentada pelo Ministério Público, empresas ligadas ao empresário teriam mantido movimentações financeiras com organizações já investigadas por supostas operações de ocultação de recursos.
Os investigadores analisam transferências realizadas entre empresas que aparecem no fluxo financeiro rastreado durante a apuração do caso. Em uma das linhas investigativas, a Victory Trading teria mantido relações comerciais com empresas que figuram em relatórios policiais e em delações envolvendo integrantes do crime organizado.
Defesa contesta acusações
A defesa de Victor Shimada informou que ainda não teve acesso integral aos documentos que embasaram as sanções anunciadas pelo governo dos Estados Unidos.
Em nota, o advogado Yuri Cruz afirmou que o empresário rejeita qualquer ligação com organizações criminosas e nega participação em esquemas de lavagem de dinheiro. Segundo ele, uma manifestação mais detalhada será apresentada após a análise completa dos documentos e das investigações.
Pressão internacional
As medidas anunciadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos representam uma das ações mais contundentes já adotadas pelo governo norte-americano contra pessoas e empresas brasileiras suspeitas de participação em esquemas financeiros ligados ao PCC.
As sanções determinam o congelamento de bens e ativos localizados em território norte-americano e também atingem empresas controladas direta ou indiretamente pelos investigados.
As autoridades dos EUA sustentam que a rede financeira investigada teria atuado na movimentação de recursos ilícitos entre o Brasil e os Estados Unidos, utilizando mecanismos sofisticados para ocultar a origem do dinheiro e financiar atividades criminosas ligadas ao tráfico internacional de drogas.




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