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Operação da PF revela anotações de supostos repasses a políticos e amplia investigação contra grupo ligado à contravenção

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 2 de jul.
  • 3 min de leitura

Uma nova etapa das investigações da Polícia Federal trouxe à tona documentos que apontam possíveis conexões entre integrantes da política fluminense e o esquema comandado pelo contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. O material, apreendido em uma operação realizada há quatro anos, voltou a ganhar relevância e serviu de base para a ofensiva desencadeada nesta quinta-feira (2).


Segundo os investigadores, durante buscas realizadas em 2022 foi encontrada uma mala contendo planilhas, anotações financeiras e listas com referências a dezenas de pessoas ligadas ao cenário político do Estado do Rio de Janeiro. Os documentos estavam guardados em um imóvel atribuído ao bicheiro e passaram a integrar o conjunto de provas analisadas pela corporação.


Embora a Polícia Federal não tenha divulgado oficialmente os nomes citados nos registros, a apuração aponta que o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar aparece mencionado em planilhas atribuídas ao grupo investigado. Preso desde fevereiro deste ano, ele foi novamente alvo da operação e deverá ser transferido para uma unidade prisional federal.


Outro alvo da ação foi o pastor e empresário Márcio Poncio, localizado e preso em um apart-hotel na capital fluminense. As investigações buscam esclarecer uma suposta ligação dele com organizações envolvidas na produção e distribuição ilegal de cigarros.


Registros financeiros sob análise


De acordo com a PF, os documentos apreendidos contêm informações sobre movimentações financeiras consideradas suspeitas, incluindo possíveis repasses de recursos, registros de doações eleitorais e anotações relacionadas a esquemas de ocultação patrimonial. Os investigadores acreditam que o material pode ajudar a esclarecer a existência de uma rede de influência e proteção envolvendo agentes públicos e integrantes do crime organizado.


A corporação também apura se parte dos recursos movimentados pelo grupo foi utilizada para financiar atividades ilícitas e obter vantagens indevidas junto a autoridades.


Mandados e bloqueio de patrimônio


A operação desta quinta-feira foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que expediu três mandados de prisão preventiva e 14 ordens de busca e apreensão. As diligências ocorreram em imóveis localizados no Rio de Janeiro e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.


Além das medidas cautelares, a Justiça determinou o bloqueio e sequestro de bens avaliados em aproximadamente R$ 22 milhões. A investigação aponta a existência de um esquema responsável pelo compartilhamento irregular de informações sigilosas sobre operações policiais, o que teria comprometido ações de combate ao crime organizado.


Investigados conhecidos do público


Márcio Poncio tornou-se figura conhecida nacionalmente por sua atuação religiosa e pela exposição nas redes sociais ao lado dos filhos, entre eles a deputada estadual Sarah Poncio e o cantor Saulo Poncio. Paralelamente às atividades religiosas, desenvolveu negócios no setor de tabaco, segmento que agora está sob análise dos investigadores.


Já Adilsinho é apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças da contravenção no estado. Preso em fevereiro durante uma operação integrada das forças de segurança em Cabo Frio, ele era considerado foragido da Justiça e acumulava diversos mandados de prisão.


As investigações também o identificam como um dos maiores operadores do mercado clandestino de cigarros no Rio de Janeiro, atividade que movimentaria milhões de reais anualmente.


Suspeita de vazamento de informações


No caso de Rodrigo Bacellar, a Polícia Federal sustenta que ele teria tido acesso antecipado a informações sigilosas relacionadas à Operação Zargun, voltada ao enfrentamento do Comando Vermelho. A suspeita é de que os dados tenham sido compartilhados com pessoas investigadas por ligação com a facção criminosa.


Os investigadores afirmam que o vazamento teria beneficiado diretamente integrantes da organização, comprometendo ações policiais e estratégias de inteligência.


Origem da investigação


A apuração ganhou força no fim de 2025, quando foi deflagrada a primeira fase da Operação Unha e Carne. Na ocasião, Bacellar ocupava a presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e passou a ser um dos principais focos da investigação.


Dias depois, uma nova etapa levou à prisão preventiva do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, integrante do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. A hipótese investigada é que informações sigilosas tenham sido repassadas ilegalmente dentro do sistema de Justiça antes de chegarem aos demais envolvidos.


Em março deste ano, uma terceira fase da operação resultou em nova prisão de Bacellar, após a perda de seu mandato e o avanço das acusações apresentadas pela Procuradoria-Geral da República.


Defesas se manifestam


Em nota, a defesa de Marco Antônio Cabral informou que o cumprimento do mandado de busca ocorreu sem incidentes e afirmou que ele não possui qualquer envolvimento com organização criminosa, lavagem de dinheiro ou recebimento de recursos ilícitos.


Os advogados de Adilsinho negaram que o empresário tenha realizado pagamentos indevidos a agentes públicos ou políticos, ressaltando confiança na condução do processo judicial.


Já a defesa de Márcio Poncio declarou que ainda não teve acesso integral aos autos e, por esse motivo, não conhece os fundamentos que levaram à decretação da prisão preventiva do empresário.

Foto Reprodução

Adilsinho, apontado como um dos nomes fortes da contravenção no Rio | Crédito:

 
 
 

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