Operação Unha e Carne: Rodrigo Bacellar é transferido para presídio federal após nova fase da investigação
- Marcus Modesto
- 2 de jul.
- 2 min de leitura
O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, foi retirado da unidade prisional de Bangu 8, no Complexo de Gericinó, e encaminhado na manhã desta quinta-feira (2) para a Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro. A determinação prevê sua transferência ainda hoje para um presídio federal, embora o destino não tenha sido divulgado pelas autoridades.
A medida ocorre durante mais uma etapa da Operação Unha e Carne, conduzida pela Polícia Federal com autorização do Supremo Tribunal Federal. Além de Bacellar, os agentes prenderam o pastor Marcio Poncio e cumpriram mandado de prisão preventiva contra o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. Também foi realizada busca e apreensão contra o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, pré-candidato a deputado estadual.
Ao todo, a operação executou três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão em endereços localizados no Rio de Janeiro e em São João de Meriti. O STF também autorizou o bloqueio e sequestro de bens e valores que podem chegar a aproximadamente R$ 22 milhões.
Planilhas apreendidas ampliaram investigação
Segundo a Polícia Federal, o avanço das apurações ocorreu após a análise de documentos atribuídos a Adilsinho. As planilhas continham anotações relacionadas a supostos pagamentos, doações eleitorais e movimentações financeiras consideradas compatíveis com práticas de lavagem de dinheiro.
Os investigadores afirmam que os registros apontam possíveis transferências de recursos para agentes políticos do estado. Em duas dessas planilhas, Rodrigo Bacellar teria sido identificado pelo codinome “Barba”, fato que passou a integrar o conjunto de provas analisado no inquérito.
A investigação busca esclarecer a existência de uma estrutura destinada a obter e repassar informações sigilosas sobre operações policiais, o que teria prejudicado ações de combate ao crime organizado no Rio de Janeiro.
Origem da Operação Unha e Carne
A primeira fase da Operação Unha e Carne foi deflagrada em dezembro de 2025. Na ocasião, a Polícia Federal apontou Bacellar como um dos principais investigados por suposto vazamento de informações relacionadas à Operação Zargun.
De acordo com a PF, os dados teriam beneficiado o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, apontado pelos investigadores como articulador político ligado ao Comando Vermelho.
Dias depois, uma nova etapa da operação resultou na prisão preventiva do desembargador Macário Ramos Júdice Neto. A suspeita é de que informações sigilosas tenham saído de setores do Judiciário antes de chegarem aos demais investigados.
Caso ganhou novos desdobramentos em 2026
Em março deste ano, Rodrigo Bacellar voltou a ser preso após ter o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral e ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República.
Nessa fase, a Polícia Federal passou a relacionar as investigações à ADPF 635, argumentando que o suposto esquema de vazamentos teria comprometido operações de segurança pública destinadas ao enfrentamento de organizações criminosas em comunidades do estado.
As investigações seguem em andamento e novas diligências não estão descartadas pelas autoridades responsáveis pelo caso.




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