Operação da PF mira dono da Refit, bloqueia bilhões e aprofunda crise política no Rio
- Marcus Modesto
- 15 de mai.
- 2 min de leitura
A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (15) a Operação Sem Refino, ofensiva de grande escala que colocou no centro das investigações o advogado e empresário Ricardo Magro, controlador do grupo Refit e proprietário da Refinaria de Manguinhos. A operação também atingiu o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, alvo de mandado de busca e apreensão em sua residência na Barra da Tijuca.
A investigação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da ADPF 635, conhecida nacionalmente como “ADPF das Favelas”. Segundo a PF, o inquérito apura a existência de uma estrutura financeira e empresarial suspeita de atuar na ocultação patrimonial, movimentação irregular de recursos e evasão de divisas para o exterior.
Além da prisão preventiva de Ricardo Magro, o STF determinou a inclusão do nome do empresário na difusão vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localização e eventual prisão internacional de investigados. Atualmente, Magro vive em Miami, nos Estados Unidos.
A operação mobilizou agentes no Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal, com cumprimento de 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de funções públicas. O Supremo também autorizou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros ligados aos investigados e determinou a suspensão das atividades econômicas de empresas apontadas na apuração.
Refit no centro das investigações
A Polícia Federal aponta indícios de utilização de estruturas societárias complexas para dificultar o rastreamento de patrimônio e blindar ativos financeiros. As suspeitas recaem sobre operações relacionadas à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, localizada na Zona Norte do Rio.
Segundo investigadores, o esquema investigado envolveria possíveis fraudes fiscais, movimentações financeiras incompatíveis e mecanismos destinados à ocultação de bens. A ofensiva é considerada uma das maiores já realizadas contra o setor de combustíveis no país, tanto pelo volume de recursos bloqueados quanto pelo alcance das medidas determinadas pelo STF.
Ricardo Magro é figura conhecida no mercado de combustíveis e frequentemente associado a investigações de grande repercussão nacional. O empresário já teve o nome ligado a apurações sobre lavagem de dinheiro e disputas fiscais bilionárias envolvendo empresas do grupo.
Apesar das acusações e suspeitas levantadas ao longo dos anos, Magro sempre negou irregularidades em sua atuação empresarial.
Pressão política aumenta no Rio
A presença da Polícia Federal na residência de Cláudio Castro ampliou ainda mais o cenário de instabilidade política no estado do Rio de Janeiro. Castro renunciou ao governo em março, um dia antes da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que resultou em sua inelegibilidade por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
Desde então, o estado vive uma situação inédita, com vacância simultânea dos cargos de governador e vice-governador. Atualmente, o comando do Executivo estadual está sob gestão interina do desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio.
O Supremo Tribunal Federal ainda analisa se a escolha do próximo governador será realizada por eleição direta ou indireta. Enquanto isso, novas operações policiais e investigações financeiras aprofundam a crise institucional e aumentam o desgaste político envolvendo antigos integrantes do governo estadual e empresários influentes do Rio de Janeiro.
Foto Arquivo




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