Operação Metástase mira esquema milionário de roubo de medicamentos para pacientes com câncer
- Marcus Modesto
- 21 de jul.
- 2 min de leitura
Uma força-tarefa da Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta terça-feira (21) a Operação Metástase, com o objetivo de desmontar uma organização criminosa acusada de roubar cargas de medicamentos de alto custo e revendê-las ilegalmente em diferentes estados do país. A investigação aponta que o grupo movimentou mais de R$ 33 milhões em apenas um ano.
A ação cumpre cinco mandados de prisão e 97 de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará. Até o momento, três suspeitos foram presos. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias e o sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens ligados aos investigados.
De acordo com a Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC-CAP), a quadrilha estaria envolvida em pelo menos 20 ataques a cargas de medicamentos nos últimos seis meses. Entre os produtos desviados estavam remédios oncológicos e imunossupressores, essenciais para pacientes em tratamento de câncer e pessoas transplantadas.
As investigações revelaram que, após os roubos, os medicamentos eram levados para áreas dominadas pelo crime organizado no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio. No local, as cargas eram armazenadas, separadas e redistribuídas para uma rede de receptação que operava em diversos estados.
Para dar aparência de legalidade aos produtos, os criminosos utilizavam cerca de 25 empresas de fachada, além de transportadoras, intermediários e pessoas usadas como “laranjas”. A polícia também identificou a participação de funcionários do setor de transporte que repassavam informações privilegiadas sobre rotas e cargas.
Segundo os investigadores, os medicamentos roubados chegavam a ser revendidos para hospitais e clínicas por valores abaixo do mercado. Em alguns casos, os produtos teriam sido inseridos até mesmo em processos de compra da rede pública de saúde, ampliando a preocupação das autoridades.
Além do prejuízo financeiro, a Polícia Civil destaca os riscos à saúde dos pacientes. Medicamentos desse tipo exigem rígido controle de temperatura e armazenamento. Quando essas condições não são respeitadas, a eficácia do tratamento pode ser comprometida, colocando vidas em perigo.
A operação ocorre poucos dias após outra ação policial contra um grupo suspeito de comercializar medicamentos falsificados para tratamento de câncer. Na ocasião, remédios foram apreendidos e encaminhados para perícia, reforçando o alerta sobre a atuação de organizações criminosas no setor farmacêutico.




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