Operação Metástase revela esquema milionário de roubo e venda ilegal de medicamentos contra o câncer
- Marcus Modesto
- 21 de jul.
- 2 min de leitura
A Polícia Civil desarticulou nesta terça-feira (21) uma organização criminosa suspeita de atuar no roubo e na comercialização clandestina de medicamentos de alto custo usados principalmente no tratamento de pacientes com câncer e pessoas transplantadas.
Batizada de Operação Metástase, a ação identificou que parte dos medicamentos apreendidos pelos investigadores pertencia a uma carga roubada no dia 8 de julho, em Santo Antônio de Posse, no interior de São Paulo. Os produtos foram encontrados dentro de um veículo de luxo apreendido durante a operação.
Segundo a investigação da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC-CAP), o empresário Stefano Mantovani Fernandes é apontado como um dos principais articuladores do grupo criminoso. Na residência dele, em Santo André, a polícia encontrou caixas de medicamentos oncológicos dentro de um Jaguar.
De acordo com os investigadores, a quadrilha teria movimentado aproximadamente R$ 33 milhões em apenas um ano e seria especializada em desviar remédios de alto valor no mercado, destinados a pacientes em tratamentos delicados.
A apuração aponta ainda que o grupo teria ligação com integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), que supostamente ofereceria suporte armado para garantir a segurança das cargas roubadas e a circulação dos produtos até pontos de armazenamento no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Rede de empresas e falsos negócios
Para ocultar a origem dos medicamentos, a organização teria criado uma estrutura formada por empresas de fachada em diferentes estados, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará.
A polícia afirma que transportadoras, entregadores e pessoas utilizadas como “laranjas” faziam parte do esquema, ajudando a dar aparência de regularidade às operações.
Outra linha da investigação aponta que funcionários ligados ao transporte das cargas poderiam ter colaborado com o grupo, repassando informações estratégicas sobre rotas, horários e movimentação dos medicamentos.
Milhões bloqueados e bens apreendidos
Durante a operação, a Justiça autorizou o bloqueio de cerca de R$ 30 milhões em contas bancárias dos investigados, além do sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens.
A Polícia Civil estima que a organização esteja envolvida em pelo menos 20 roubos de cargas de medicamentos nos últimos seis meses.
Entre os produtos desviados estavam medicamentos fundamentais para tratamentos contra o câncer e para pacientes submetidos a transplantes, que deveriam chegar a hospitais e distribuidores autorizados.
Cinco pessoas presas
A operação terminou com cinco prisões:
• Carlos Roberto Fernandes
• Fernanda Rodrigues França
• Guilherme Silva Lopes de Sena
• Stefano Mantovani Fernandes
• Umberto Xavier de Lima
A investigação continua para identificar outros integrantes da organização e mapear toda a cadeia de distribuição ilegal dos medicamentos. Para a Polícia Civil, o esquema não representava apenas um crime financeiro, mas também um risco direto à vida de pacientes que dependem desses tratamentos.
Foto Reprodução




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