top of page
Buscar

OPINIÃO | Barra Mansa como ela é: a memória curta custa caro

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 4 de jun.
  • 2 min de leitura

Por Marcus Modesto


Mais uma eleição se aproxima. E, como acontece de quatro em quatro anos, a cidade começa a ser inundada por sorrisos, promessas, abraços e discursos ensaiados. De repente, aqueles que passaram anos sumidos reaparecem nas ruas, nas redes sociais e nas portas das casas. Descobrem problemas que já existiam, apresentam soluções milagrosas e juram que agora será diferente.


Mas a pergunta que Barra Mansa precisa fazer não é o que os candidatos prometem para o futuro. A pergunta é muito mais simples: o que eles fizeram no passado?


A memória do eleitor é a maior ameaça para os maus políticos. Por isso, muitos apostam justamente no esquecimento. Contam que ninguém vai lembrar das promessas abandonadas, das ausências nas sessões, das votações contraditórias, dos cargos distribuídos para aliados e dos discursos que nunca saíram do papel.


Enquanto isso, o trabalhador continua acordando cedo, enfrentando ônibus lotados, postos de saúde sem estrutura, ruas esburacadas e serviços públicos que raramente funcionam como deveriam. O cidadão paga impostos cada vez mais altos e recebe cada vez menos em troca. Já boa parte da classe política continua vivendo em uma realidade paralela, protegida pelo conforto dos gabinetes e distante das dificuldades de quem sustenta a máquina pública.


Chegou a hora de o eleitor abandonar a paixão e adotar a análise. Voto não é torcida organizada. Não é amizade. Não é favor. Não é selfie para rede social. Voto é uma procuração que entrega poder a alguém para administrar recursos que pertencem à população.


Antes de apertar qualquer botão na urna, vale a pena investigar. Onde esse candidato estava nos últimos anos? O que produziu? Quais projetos apresentou? Como se comportou quando ocupou cargos públicos? Quem são seus aliados? Que interesses representa?


Quem não analisa o passado corre o risco de repetir os mesmos erros no futuro.


Barra Mansa não precisa de mais especialistas em promessas. Precisa de representantes comprometidos com resultados. Não precisa de políticos que só aparecem em época eleitoral. Precisa de gente que esteja presente quando as câmeras estão desligadas e os votos ainda estão distantes.


A cidade já pagou caro demais pelas escolhas feitas sem reflexão. E continuará pagando enquanto parte do eleitorado insistir em votar pela emoção, pela amizade, pelo sobrenome conhecido ou pelo favor recebido.


Nas próximas eleições, a urna não será apenas um instrumento de escolha. Será um teste de memória. E talvez seja justamente a memória que separa o eleitor consciente do eleitor que, mais uma vez, ajudará a perpetuar os mesmos problemas.


Porque promessas passam. Campanhas terminam. Os discursos são esquecidos. Mas as consequências do voto permanecem por anos.



 
 
 

Comentários


bottom of page