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OPINIÃO | Quando a cobrança chega tarde demais

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 6 dias
  • 2 min de leitura

Eduardo Pimentel tenta surfar em solução de problema que nunca combateu


Por Marcus Modesto


A recente publicação do vereador Eduardo Pimentel sobre os atrasos nos repasses estaduais ao OncoBarra e os pagamentos pendentes de médicos levanta uma questão inevitável: onde estava toda essa indignação quando o problema se agravava mês após mês?


A população de Barra Mansa acompanha há muito tempo a crise provocada pelos atrasos nos recursos destinados à saúde. Não se trata de uma descoberta recente nem de um fato novo. Pacientes, familiares, oprofissionais da saúde e gestores convivem há anos com a insegurança gerada pela demora nos repasses e pelas dificuldades financeiras enfrentadas por unidades que prestam serviços essenciais.


Agora que os pagamentos começam a ser regularizados e que o assunto ganha visibilidade, surgem discursos nas redes sociais apresentando cobranças e manifestações públicas que, para muitos cidadãos, chegaram tarde demais.


A função de um vereador não é apenas aparecer quando a solução está encaminhada. Fiscalizar, cobrar oficialmente, protocolar requerimentos, promover debates públicos e pressionar os responsáveis são atribuições permanentes do mandato. É justamente durante os momentos mais difíceis que a atuação parlamentar deve ser mais visível e efetiva.


Diante desse cenário, é natural que a população questione: quais foram as ações concretas realizadas ao longo desse período? Quantos requerimentos foram apresentados? Quais cobranças formais foram encaminhadas aos órgãos responsáveis? Quais fiscalizações foram feitas quando médicos aguardavam pagamentos e pacientes conviviam com a incerteza?


São perguntas legítimas que merecem respostas objetivas.


O problema dos repasses ao OncoBarra não surgiu ontem. Tampouco a dificuldade enfrentada pelos profissionais de saúde. Por isso, discursos que tentam transmitir a impressão de protagonismo na solução de uma crise antiga acabam encontrando resistência junto a uma população que acompanhou de perto o desenrolar dos fatos.


A política exige coerência. Quem se apresenta como fiscal do poder público precisa demonstrar que exerceu essa função durante toda a crise, e não apenas quando o assunto já está em evidência ou quando a solução começa a aparecer.


Mais do que vídeos e publicações nas redes sociais, os moradores de Barra Mansa esperam transparência, resultados e prestação de contas. Afinal, a saúde pública é um tema sério demais para ser transformado em palco de conveniência política.



 
 
 

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