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OPINIÃO | Vem eleição, vai eleição, e o trem continua passando

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 10 de jun.
  • 2 min de leitura

OPINIÃO | Vem eleição, vai eleição, e o trem continua passando


Em Barra Mansa existe uma cena que atravessa gerações.


O trem passa.


Passa de manhã, passa à tarde, passa à noite.


E, junto com ele, passam os anos, os governos e as eleições.


Há décadas a população escuta promessas de solução para os transtornos causados pela ferrovia que corta a cidade. Em cada período eleitoral, o assunto reaparece. Surgem compromissos, projetos, reuniões, anúncios e discursos inflamados sobre a necessidade de resolver um problema que afeta diariamente milhares de moradores.


A eleição chega.


Os candidatos visitam os bairros.


Tiram fotos.


Concedem entrevistas.


Garantem que agora será diferente.


Garantem que vão buscar recursos.


Garantem que vão cobrar as autoridades competentes.


Garantem que a solução está próxima.


A eleição termina.


E o trem continua passando.


Passa enquanto motoristas aguardam nos congestionamentos das passagens de nível.


Passa enquanto trabalhadores chegam atrasados ao emprego.


Passa enquanto estudantes perdem tempo no trânsito.


Passa enquanto ambulâncias aguardam a liberação dos cruzamentos.


Passa enquanto acidentes continuam acontecendo.


Depois vem uma nova eleição.


Mudam os candidatos.


Mudam os partidos.


Mudam os slogans.


Mudam as promessas.


Mas o problema permanece.


O mais curioso é que ninguém pode alegar desconhecimento. O assunto é antigo. Os gargalos são conhecidos. Os impactos são evidentes. Não se trata de uma demanda nova ou de uma reivindicação recente.


Todos sabem.


A população sabe.


Os vereadores sabem.


Os prefeitos sabem.


Os deputados estaduais sabem.


Os deputados federais sabem.


Os senadores sabem.


A concessionária sabe.


Os governos sabem.


E mesmo assim a solução definitiva nunca chega.


Ao longo dos anos, Barra Mansa ouviu falar de viadutos, mergulhões, passagens subterrâneas, readequações urbanas e projetos de mobilidade. Houve audiências, encontros políticos, visitas técnicas e inúmeras publicações nas redes sociais.


O que não houve foi a obra capaz de transformar a realidade da cidade.


O resultado é um sentimento crescente de descrença.


Porque chega um momento em que a população deixa de acreditar em anúncios e passa a cobrar resultados.


Chega um momento em que não basta mais apresentar estudos.


Não basta mais criar expectativas.


Não basta mais usar o problema como pauta de campanha.


A ferrovia continua transportando riquezas para o país inteiro. O minério passa. O aço passa. A economia passa sobre os trilhos.


Mas a solução para Barra Mansa parece permanecer estacionada em algum gabinete.


Enquanto isso, o calendário eleitoral segue seu curso.


Vem eleição.


Vai eleição.


Vêm promessas.


Vão promessas.


E o trem continua passando.


Talvez tenha chegado a hora de a população fazer uma pergunta simples aos seus representantes: quantas eleições mais serão necessárias para que uma demanda histórica deixe de ser discurso e se transforme em realidade?


Porque o barra-mansense já esperou demais.


E a paciência, diferentemente do trem, não é infinita.





 
 
 

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