Padre Júlio denuncia conspiração contra ações da Pastoral de Rua em primeira missa após veto a transmissões online
- Marcus Modesto
- 22 de dez. de 2025
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Em sua primeira missa dominical após a determinação da Arquidiocese de São Paulo que o proibiu de transmitir celebrações religiosas na internet, o padre Júlio Lancellotti afirmou, neste domingo (21), que as ações da Pastoral de Rua estão sendo alvo de ataques e conspirações.
Ao final da celebração, o religioso fez um desabafo ao comentar as dificuldades enfrentadas pelo trabalho social desenvolvido junto à população em situação de rua. Segundo ele, enquanto alguns se unem para rezar e reforçar laços de fraternidade, outros se organizam para atacar e espalhar ódio.
“Eu não sei o que vai acontecer nas próximas semanas, porque, assim como nós nos juntamos para dizer que somos irmãos, muitos se juntam também para conspirar contra. Enquanto rezamos juntos, outros se reúnem para destilar ódio”, declarou.
Padre Júlio ressaltou que grande parte das críticas parte de pessoas que desconhecem a trajetória e o alcance das ações sociais realizadas pela pastoral. “Os que atacam não conhecem a história, não sabem tudo o que foi vivido”, afirmou.
O sacerdote lembrou iniciativas desenvolvidas em espaços como o Centro Santa Dulce, a Casa Santa Virgínia e a Casa Nossa Senhora das Mercês, e reforçou que qualquer pessoa interessada pode visitar os projetos e acompanhar de perto o trabalho realizado. “Quem quer saber o que é feito é só ir a uma das casas”, disse.
Ele também destacou o funcionamento da padaria mantida com doações da comunidade, responsável pela produção diária de cerca de dois mil pães distribuídos em diversos pontos da cidade. Segundo o padre, nenhuma dessas ações recebe recursos do poder público ou de outras instâncias institucionais. “Tudo é sustentado pela boa vontade de todos”, enfatizou.
Durante a homilia, padre Júlio voltou a se posicionar em defesa de grupos historicamente discriminados, como pessoas em situação de rua, trabalhadores sem terra, povos indígenas, negros, mulheres e o povo palestino.
“Estaremos até o fim com aqueles que lutam pela terra, pelos povos indígenas, pelas mulheres, pelos negros, por todos os que sofrem discriminação, pela Palestina livre. Mesmo que sejamos feridos e atacados, continuaremos a amar”, afirmou.
Apesar da proibição imposta pela Arquidiocese ao uso das redes sociais, a missa foi transmitida ao vivo neste domingo pelo perfil da Rede Jornalistas Livres no Instagram.




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