Paralisação de médicos provoca filas e frustração nas Clínicas da Família no Rio
- Marcus Modesto
- 4 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
A manhã desta segunda-feira (4) foi marcada por filas extensas e grande insatisfação entre os usuários das Clínicas da Família no Rio de Janeiro. Médicos da rede municipal iniciaram uma paralisação por melhores condições de trabalho, afetando o funcionamento das unidades de atenção básica em diversas regiões da capital. A informação foi divulgada pelo portal Voz das Comunidades.
A mobilização, prevista para durar até a próxima quarta-feira (6), tem impacto direto no atendimento da população, especialmente nas comunidades. Morador do Complexo do Alemão, Wellington Alves relatou a dificuldade enfrentada: “Cheguei lá às 6h da manhã e fiquei na fila como sempre. O pessoal que ia fazer exame foi atendido, mas quem estava esperando por consulta ficou aguardando. Por volta de sete horas, um rapaz avisou que os médicos estão de ‘greve’ até quinta”, contou.
Segundo o gerente da Clínica da Família Zilda Arns, Robson Maciel, a ação dos profissionais não configura uma greve, mas sim uma paralisação com redução no número de atendimentos. De acordo com ele, 23 médicos seguem trabalhando na unidade, o que permite a manutenção de parte dos serviços.
Entre os motivos da paralisação estão a sobrecarga de trabalho, a falta de insumos básicos, a insegurança nas unidades e a ausência de reajuste salarial há quatro anos. Médicos também denunciam cortes em adicionais e metas desde 2023. As reivindicações têm sido divulgadas por meio de panfletos e mensagens em grupos de WhatsApp.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que está em diálogo com os profissionais. Uma primeira reunião aconteceu no dia 28 de julho e um novo encontro está agendado para 3 de setembro. A secretaria destacou que os médicos da família do Rio de Janeiro têm o maior salário do estado e o segundo maior entre as capitais brasileiras, com média de R$ 16.862,10 — podendo chegar a R$ 31 mil com bonificações.
Apesar do impasse, a SMS afirma que nenhuma unidade teve os atendimentos totalmente suspensos. Pacientes que perderem consultas poderão procurar a gerência das unidades ou acionar o canal 1746 para reagendamentos.
O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, deve se pronunciar oficialmente sobre a situação ainda nesta segunda-feira.




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