Paraty, o “paraíso” sob controle do Comando Vermelho
- Marcus Modesto
- 14 de jan.
- 2 min de leitura
Paraty, conhecida internacionalmente por suas praias, paisagens naturais de rara beleza e seu centro histórico tombado como patrimônio da humanidade, enfrenta uma realidade alarmante: o avanço do crime organizado em áreas tradicionalmente consideradas refúgio de turistas e comunidades tradicionais caiçaras.
Relatos de moradores, trabalhadores do turismo e registros policiais apontam que o Comando Vermelho (CV), uma das maiores facções criminosas do país, vem consolidando presença e controle em vilas, praias, trilhas e estacionamentos no entorno de Paraty, incluindo localidades como Trindade, Praia do Sono, Calhaus e Pouso da Cajaíba.
Território ocupado, Estado ausente
Segundo testemunhos e denúncias encaminhadas às autoridades, a atuação da facção vai muito além do tradicional tráfico de drogas: homens armados circulam livremente por áreas de grande circulação de turistas e da população local, impondo regras informais e cobrando taxas ilegais de moradores e trabalhadores do setor turístico. Na Praia do Sono, por exemplo, barqueiros responsáveis pelo transporte de visitantes relatam que são obrigados a pagar valores para poder operar na região — um tipo de extorsão que atinge diretamente quem vive da economia local.
Moradores que resistiram às cobranças organizaram protestos em dezembro de 2025, mas a reação do grupo foi imediata, com mensagens em rede social em tom ameaçador, afirmando que a “ordem” do grupo não seria desestabilizada.
Clima de medo e confrontos
Além das extorsões, há relatos de trocas de tiros entre criminosos e a Polícia Militar nos últimos meses de 2025 e de ameaças explícitas a visitantes. Em um episódio registrado em Trindade, um turista afirmou ter sido ameaçado por dois homens armados ao tentar alugar uma casa para temporada.
Organizações tradicionais, incluindo comunidades caiçaras que dependem da pesca, agricultura de subsistência e do turismo, vivem agora sob clima de medo e insegurança, enquanto cadeias de trilhas e praias que deveriam ser livres e acessíveis se tornam zonas de influência de um grupo criminoso.
Desafio de soberania e prejuízo coletivo
A presença consolidada de uma facção criminosa em um importante destino turístico brasileiro não é apenas um problema de segurança pública: representa um enfraquecimento da presença do Estado e a perda de soberania sobre territórios fundamentais para a cultura, a economia e a vida das comunidades locais.
O prejuízo é coletivo: moradores perdem tranquilidade e fonte de renda, trabalhadores do turismo enfrentam extorsões e ameaças, e visitantes deixam de frequentar áreas que deveriam ser referencias de hospitalidade e patrimônio cultural — afetando diretamente a reputação e a economia de Paraty como um todo.
A denúncia reforça a necessidade urgente de ações integradas das forças de segurança, políticas públicas eficazes e presença efetiva das instituições para proteger não apenas a atividade turística, mas, sobretudo, a população que vive e constrói a identidade cultural desse território.
Foto Arquivo




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