Paraty perde milhões com turismo que não paga imposto
- Marcus Modesto
- 10 de jul. de 2025
- 3 min de leitura
Cidade é um dos destinos mais visitados do Brasil, mas enfrenta rombo fiscal causado pela informalidade no setor turístico
Paraty é reconhecida nacionalmente como um dos destinos turísticos mais importantes do Brasil. Com seu centro histórico preservado, belezas naturais exuberantes e rica agenda cultural, a cidade atrai milhares de visitantes todos os meses. Mas por trás do sucesso turístico, esconde-se um problema grave: a maioria dos empreendimentos não emite nota fiscal e, por isso, o município deixa de arrecadar milhões todos os anos.
Apesar de um orçamento anual estimado em R$ 500 milhões — incluindo royalties do petróleo e repasses federais — a prefeitura enfrenta limitações para investir em infraestrutura, mobilidade, saneamento e melhorias urbanas. Isso ocorre porque uma fatia significativa da economia local simplesmente não passa pelo caixa oficial da cidade.
“O turismo movimenta a economia, mas poucos contribuem formalmente. A maioria dos restaurantes, pousadas, passeios de barco e prestadores de serviço simplesmente não emite nota fiscal. Isso afeta diretamente a arrecadação de impostos como ISS e ICMS”, afirma um servidor municipal ouvido pela reportagem.
O paradoxo de Paraty: turismo em alta, arrecadação em baixa
Segundo levantamento de fontes oficiais, mais de 90% dos empregos formais em Paraty estão no setor de serviços e comércio, fortemente ligados ao turismo. No entanto, a formalização é baixa: muitos estabelecimentos preferem atuar na informalidade para fugir da carga tributária.
Essa prática cria um cenário em que o turista gasta, o empresário lucra, mas o município não vê a cor do dinheiro.
A consequência é direta: a cidade fica dependente de transferências externas e sem recursos próprios para investir, por exemplo, em transporte público, capacitação profissional, coleta de lixo, fiscalização ambiental ou manutenção do patrimônio histórico.
📉 O impacto da sonegação
• Pousadas, restaurantes e passeios frequentemente operam sem emissão de nota fiscal;
• Guias turísticos e agências não se registram como prestadores de serviço;
• Passeios de barco, especialmente no cais de Paraty, operam com pouca ou nenhuma fiscalização.
O resultado é um enorme déficit de arrecadação, que poderia estar sendo revertido em melhorias para o próprio setor turístico e para a população local.
O orçamento e os limites da gestão pública
De acordo com dados oficiais, boa parte dos recursos do município está vinculada a gastos obrigatórios com saúde, educação e funcionalismo público. A margem que resta para investimentos é pequena — e poderia ser ampliada com o aumento da arrecadação local via impostos sobre o setor que mais cresce: o turismo.
Enquanto isso, emendas parlamentares representam apenas uma fração do orçamento e não garantem continuidade de investimentos.
A cidade que perde por não cobrar
Sem fiscalização efetiva e sem estímulo à formalização, Paraty segue perdendo a oportunidade de transformar o sucesso turístico em qualidade de vida para seus moradores.
“Paraty vive do turismo, mas o turismo não sustenta Paraty. Esse é o grande dilema”, afirma um empresário do setor de hospedagem que prefere não se identificar.
O que pode ser feito
• Campanhas de conscientização voltadas aos empresários e turistas sobre a importância da nota fiscal;
• Incentivos fiscais para quem atua de forma regular;
• Fiscalização firme e constante nos pontos de maior movimentação turística, como cais, centro histórico e Trindade;
• Parcerias com associações e o trade turístico para criar um pacto pela formalidade e pela arrecadação justa.
Paraty não pode continuar sendo um palco de grande movimentação econômica sem contrapartida fiscal. Enquanto milhares de reais circulam diariamente pelas mãos de comerciantes, empresários e prestadores de serviço, os cofres públicos seguem minguando. A conta, como sempre, sobra para a população.
Formalizar o turismo é mais do que arrecadar — é garantir que Paraty tenha condições reais de cuidar de seu patrimônio, de sua gente e de seu futuro.
Fotos arquivo






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