Parque Estadual Cunhambebe: Riqueza Natural em Risco na Costa Verde Fluminense
- Marcus Modesto
- 12 de mar. de 2025
- 2 min de leitura
O Parque Estadual Cunhambebe, localizado na Costa Verde do Rio de Janeiro, é um dos últimos refúgios para a biodiversidade fluminense. Com 38 mil hectares de Mata Atlântica preservada, o parque abriga 443 espécies de aves – mais da metade da avifauna registrada em todo o estado. No entanto, por trás dos números impressionantes divulgados pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), surgem questionamentos sobre a efetividade das políticas de preservação diante das crescentes ameaças ambientais.
Embora o governo do estado destaque iniciativas como monitoramentos regulares e o uso de tecnologias avançadas, a pressão causada pelo crescimento urbano desordenado, pelo turismo predatório e pela atividade ilegal de caça continua a colocar em risco o equilíbrio desse ecossistema. Espécies raras e ameaçadas, como o formigueiro-de-cabeça-negra (Formicivora erythronotos) e a águia-cinzenta (Urubitinga coronata), encontram no parque um dos últimos refúgios, mas até quando?
Os dados divulgados pelo Inea revelam que, apenas em 2024, foram realizados 96 monitoramentos, com 2.065 registros de aves. No entanto, pouco se fala sobre o contingente limitado de profissionais dedicados a essa vigilância e sobre as dificuldades enfrentadas para fiscalizar uma área tão extensa. A presença de drones e câmeras é um avanço tecnológico, mas, sem investimentos contínuos em pessoal capacitado e ações concretas de combate aos crimes ambientais, essas ferramentas se tornam apenas paliativos diante de um problema estrutural.
Outro ponto que merece atenção é a relação entre o parque e as comunidades do entorno. Iniciativas como o programa “Vem Passarinhar”, que busca aproximar a população da observação de aves, são importantes, mas insuficientes para enfrentar os reais desafios da conservação. Sem políticas públicas robustas que envolvam as comunidades locais na proteção do território e garantam alternativas sustentáveis de geração de renda, a preservação do Parque Cunhambebe seguirá vulnerável a interesses econômicos que priorizam o lucro em detrimento do meio ambiente.
A criação do parque teve como objetivo proteger os remanescentes da Mata Atlântica e conectar importantes maciços florestais, como Bocaina e Tinguá. Contudo, mais de duas décadas após sua fundação, a pergunta que permanece é: as ações de conservação são suficientes para frear o avanço das ameaças ambientais ou estamos apenas retardando a perda irreversível desse patrimônio natural?
Se o Parque Estadual Cunhambebe realmente é um dos maiores guardiões da biodiversidade fluminense, é urgente que o poder público vá além do discurso e assuma, de fato, o compromisso de proteger esse tesouro natural para as futuras gerações. Afinal, a biodiversidade não sobrevive apenas com monitoramento – ela precisa de políticas efetivas, fiscalização rigorosa e, sobretudo, vontade política para preservar o que ainda resta.





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