Parque Lage avança para se tornar patrimônio imaterial do Rio
- Marcus Modesto
- 25 de mar.
- 2 min de leitura
Um dos cenários mais emblemáticos do Rio de Janeiro está prestes a ganhar um novo reconhecimento oficial. O Parque Lage, localizado no Jardim Botânico, teve aprovada, em segunda discussão na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, a proposta que o declara patrimônio cultural e imaterial do estado.
A medida consolida um passo importante para eternizar, também no campo simbólico, a relevância de um espaço que atravessa séculos reunindo história, arte e natureza em plena área urbana.
Raízes que vêm do período colonial
Muito antes de se tornar um ponto turístico e cultural, a área já tinha importância estratégica. No século XVI, o local abrigava um engenho de açúcar pertencente a Antônio Salema, então governador da capitania do Rio de Janeiro. As terras se estendiam até a região da atual Lagoa Rodrigo de Freitas.
Com o passar do tempo, a propriedade mudou de mãos e ganhou novos contornos. No século XIX, um lorde inglês introduziu um jardim de estilo romântico, antecipando a vocação estética que marcaria o espaço. Em 1859, o terreno foi incorporado à família Lage — origem do nome que hoje se tornou referência na cidade.
Um espaço moldado pela arte e pela arquitetura
O início do século XX trouxe transformações decisivas. Henrique Lage, empresário e herdeiro da propriedade, promoveu intervenções que definiram a identidade visual do parque. Entre elas, a construção do icônico palacete inspirado na arquitetura de um palazzo romano, hoje um dos cartões-postais mais fotografados da cidade.
A partir da década de 1960, o espaço ganhou nova função: tornou-se território de criação artística. Esse processo se consolidou em 1974, com a fundação da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, que revelou e formou gerações de artistas brasileiros.
Patrimônio vivo entre cultura e natureza
O reconhecimento oficial não surge por acaso. Desde 1957, o parque é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o que já garantia sua proteção como bem histórico e cultural.
Além disso, desde 2004, o espaço integra o Parque Nacional da Tijuca, uma das maiores florestas urbanas do mundo, reforçando seu papel ambiental.
Agora, com a aprovação na Alerj, o Parque Lage caminha para um novo status: o de patrimônio imaterial do estado. Um reconhecimento que não se limita às construções ou à paisagem, mas celebra a memória, a convivência e a produção cultural que continuam a pulsar entre seus jardins.
Foto Reprodução




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