Passageira com deficiência denuncia constrangimento e falta de preparo no atendimento em rodoviária de Barra Mansa
- Marcus Modesto
- 30 de mar.
- 2 min de leitura
Um episódio ocorrido na rodoviária de Barra Mansa expõe falhas graves no atendimento a pessoas com deficiência e levanta questionamentos sobre a capacitação de funcionários e o respeito aos direitos básicos de passageiros do sistema de transporte intermunicipal.
A protagonista do caso, uma mulher com deficiência auditiva, relata ter sido vítima de constrangimento público ao tentar embarcar em um ônibus com destino ao Parque Mambucaba. Segundo seu depoimento, o problema teve início após uma solicitação simples: a alteração do horário da passagem, sem qualquer mudança de data.
No entanto, ao embarcar no coletivo, foi surpreendida pela abordagem do motorista, que afirmou que o bilhete estava emitido para o dia anterior. Sem receber orientação adequada ou qualquer tentativa de resolução imediata, ela foi orientada a deixar o veículo ou pagar uma nova passagem — mesmo afirmando não ter condições financeiras naquele momento.
O episódio se agravou com a postura do profissional, que, de acordo com o relato, elevou o tom de voz e a expôs diante de outros passageiros. Em meio à situação, a passageira, que também sofre de ansiedade, entrou em crise, descrevendo sentimentos de humilhação, desamparo e total falta de acolhimento.
O mais preocupante veio depois. Ao retornar ao guichê, a atendente informou que havia vaga disponível no próximo horário e, ainda mais grave, que o embarque no ônibus anterior teria sido possível. Ou seja, a falha de comunicação e a ausência de orientação adequada resultaram em um constrangimento desnecessário e evitável.
O caso evidencia não apenas um erro operacional, mas uma deficiência estrutural no atendimento ao público, especialmente quando envolve pessoas com deficiência. A legislação brasileira garante prioridade, acessibilidade e tratamento digno a PCDs, o que claramente não foi observado na situação relatada.
Mais do que um problema pontual, o episódio escancara a falta de preparo de profissionais que lidam diretamente com o público. Em um sistema que deveria garantir inclusão e respeito, o que se viu foi desinformação, despreparo e ausência total de empatia.
A denúncia serve como alerta: não basta oferecer o benefício do passe livre se o atendimento continua sendo marcado por falhas e desrespeito. A passageira afirma que buscará seus direitos — e o caso reforça a urgência de revisão nos protocolos de atendimento e treinamento das equipes envolvidas.
Situações como essa não podem ser tratadas como exceção. Quando o erro se soma à falta de humanidade, o transporte público deixa de ser um direito e passa a ser mais uma barreira para quem já enfrenta desafios diários.
Foto passageira




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