Patrimônio dos pré-candidatos de Volta Redonda revela enorme distância entre os que querem chegar ao poder
- Marcus Modesto
- há 4 horas
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Declarações de bens mostram candidatos com patrimônios milionários ao lado de nomes com valores muito mais modestos; diferença financeira coloca em debate a representatividade e o custo da disputa eleitoral
A disputa eleitoral de 2026 começa a revelar, além dos projetos políticos e das alianças partidárias, um aspecto que costuma passar longe dos discursos de campanha: o patrimônio de quem pretende pedir o voto do eleitor.
Em Volta Redonda, as declarações de bens dos nomes que já aparecem no cenário eleitoral mostram uma diferença expressiva entre os patrimônios. Os valores vão de pouco mais de R$ 34 mil a mais de R$ 3 milhões.
Os números, disponibilizados à Justiça Eleitoral e divulgados no levantamento sobre os candidatos da cidade, permitem ao eleitor conhecer um pouco melhor a realidade econômica de quem pretende disputar uma cadeira no Legislativo estadual, na Câmara dos Deputados ou no Senado.
Confira os patrimônios declarado
Candidato,Cargo pretendido,Partido,Patrimônio declarado
Coronel Henrique,Deputado Federal,Avante,R$ 3.049.283,31
Edson Albertassi,Deputado Estadual,MDB,R$ 1.307.107,76
Sidney Dinho,Deputado Estadual,PRD,R$ 826.000,00
Munir Neto,Deputado Estadual,Solidariedade,R$ 737.738,00
Dr. Rodrigo Furtado,Deputado Federal,PL,R$ 536.339,06
Jari Oliveira,Deputado Estadual,PSB,R$ 312.389,00
Raone Ferreira,Deputado Estadual,PT,R$ 34.152,00
Mauro Campos,Senador,Novo,Sem registro no levantamento
Os números mostram uma diferença de mais de R$ 3 milhões entre o maior e o menor patrimônio declarado entre os nomes relacionados na lista.
No topo aparece Coronel Henrique, com pouco mais de R$ 3 milhões. Na sequência está Edson Albertassi, com patrimônio superior a R$ 1,3 milhão. Sidney Dinho declarou R$ 826 mil, enquanto Munir Neto aparece com R$ 737,7 mil.
Dr. Rodrigo Furtado declarou R$ 536.339,06. Entre os bens informados estão imóvel residencial, sala comercial, motocicleta, Jeep Compass, valores em poupança e depósitos bancários, além de créditos relacionados a honorários.
Jari Oliveira aparece com R$ 312.389, enquanto Raone Ferreira apresenta o menor patrimônio da relação, com R$ 34.152.
Já Mauro Campos, que disputa espaço no cenário para o Senado, aparece sem registro de patrimônio no levantamento utilizado. A ausência, por si só, não permite concluir que o candidato não possua bens: é necessário verificar diretamente a situação no sistema oficial da Justiça Eleitoral e considerar o momento da atualização dos dados.
O dinheiro não define o candidato — mas precisa ser discutido
A divulgação dos patrimônios não significa dizer que quem possui mais dinheiro será melhor ou pior representante. Patrimônio não mede caráter, competência, honestidade ou capacidade política.
Mas também seria um erro tratar esses números como irrelevantes.
Uma eleição custa dinheiro. Campanhas exigem estrutura, comunicação, deslocamentos, equipe e capacidade de mobilização. Por isso, o patrimônio declarado ajuda o eleitor a compreender a realidade econômica de quem está entrando na disputa.
A pergunta que precisa ser feita é outra: qual será a origem dos recursos utilizados na campanha e como cada candidato pretende prestar contas deles?
Essa é uma discussão especialmente importante porque a legislação eleitoral estabelece regras para financiamento, gastos e prestação de contas. O patrimônio pessoal e o dinheiro efetivamente utilizado na campanha são coisas diferentes e não devem ser confundidos.
Da periferia ao gabinete
Existe ainda uma questão política que merece reflexão.
Volta Redonda é uma cidade marcada historicamente pelo trabalho industrial, pelo movimento sindical e por uma população que, em sua maioria, precisa administrar cuidadosamente o orçamento doméstico.
Do outro lado estão candidatos com patrimônios que chegam à casa dos milhões.
Essa distância econômica não impede ninguém de representar o trabalhador. Mas impõe ao eleitor uma responsabilidade: avaliar se o discurso apresentado durante a campanha corresponde às posições adotadas ao longo da trajetória política de cada candidato.
O eleitor não precisa escolher um candidato porque ele é rico ou porque é pobre. Precisa conhecer sua história, suas posições, seus interesses, sua atuação pública e, principalmente, quem financia sua campanha e quais compromissos são assumidos durante o processo eleitoral.
A declaração é apenas o começo da fiscalização
Os valores patrimoniais devem ser encarados como uma fotografia de determinado momento, e não como um retrato definitivo da vida financeira de ninguém.
O mais importante será acompanhar a evolução das declarações, as prestações de contas eleitorais e, no caso daqueles que já exercem mandato, comparar patrimônio, rendimentos e atuação pública ao longo dos anos.
Em outras palavras: não basta saber quanto cada candidato possui. É preciso saber como construiu seu patrimônio, como financia sua campanha e o que pretende fazer caso seja eleito.
Em uma eleição cada vez mais marcada pela disputa nas redes sociais e pela guerra de narrativas, a velha e simples tabela de patrimônio pode ser uma das ferramentas mais importantes para o eleitor sair da propaganda e entrar na realidade.
Porque, no fim das contas, o voto é igual para todos.
Mas as condições econômicas de quem pede esse voto estão longe de ser iguais.
E essa diferença, em uma democracia, merece ser conhecida, questionada e fiscalizada.
Foto Arquivo




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