Paulo Sandro deixa a Presidência da Câmara e ninguém quer herdar a cadeira até dezembro
- Marcus Modesto
- há 47 minutos
- 3 min de leitura
A novela da Presidência da Câmara de Barra Mansa ganhou um novo capítulo — e, desta vez, Paulo Sandro está de saída.
A previsão é que o vereador deixe o comando do Legislativo até o final de agosto, encerrando uma permanência que começou em 2023 e que já vinha sendo alvo de questionamentos. O problema agora é outro: quem vai assumir a cadeira até o fim do ano?
E, pelo que se comenta nos bastidores da política barra-mansense, essa é uma missão que não está despertando exatamente uma fila de interessados.
A explicação é simples. A Câmara já tem uma definição política para a próxima Presidência. O futuro presidente já está escolhido para assumir no próximo período. Portanto, quem aceitar comandar a Casa agora terá pela frente apenas alguns meses de mandato, numa espécie de presidência-tampão.
É pouco tempo para fazer história e tempo suficiente para herdar problemas.
Paulo Sandro deixa a Presidência justamente em um momento de forte desgaste institucional. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro abriu um inquérito civil para apurar as sucessivas reconduções do vereador ao comando da Câmara. O procedimento questiona a permanência de Paulo Sandro na Presidência por quatro anos consecutivos.
O MPRJ chegou a recomendar o afastamento imediato do vereador, a anulação da eleição realizada antecipadamente em março de 2025 e a convocação de uma nova eleição para a Presidência. Para a Promotoria, a permanência consecutiva afronta os princípios da alternância de poder e o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal sobre reconduções nas Mesas Diretoras.
E não é só essa questão que coloca Paulo Sandro sob os holofotes. O vereador responde a diferentes questionamentos e procedimentos, muitos deles no âmbito do Ministério Público, situação que naturalmente aumenta a pressão política sobre sua atuação à frente do Legislativo. É importante destacar que a existência de procedimentos ou investigações não significa condenação, mas revela que a atuação do parlamentar vem sendo objeto de sucessivas contestações e apurações.
Agora, depois de anos no comando da Câmara, Paulo Sandro deixa uma situação politicamente curiosa.
Durante muito tempo, a Presidência pareceu ter dono. A cada eleição, Paulo Sandro encontrava uma maneira de permanecer no cargo. A sucessão de reconduções, entretanto, acabou chamando a atenção do Ministério Público e transformando uma vitória política em um problema jurídico e institucional.
E a pergunta que fica é: quem vai querer assumir essa batata quente?
Porque a cadeira de presidente da Câmara pode parecer atraente quando representa quatro anos de poder. Mas quando restam apenas alguns meses, o cenário muda completamente.
O substituto terá de administrar a Câmara no período mais curto possível, lidar com uma Casa que já sabe quem deverá comandá-la no próximo ciclo e, ainda por cima, assumir o cargo em meio a toda a turbulência provocada pela saída de Paulo Sandro.
É quase como entrar em um avião que já tem destino, piloto escolhido e horário marcado para pousar — mas alguém precisa ficar na cabine até lá.
E esse alguém terá de ser um dos vereadores.
O curioso é que, em política, normalmente vereador briga para ser presidente.
Em Barra Mansa, neste momento, a impressão é justamente a contrária: estão procurando alguém disposto a aceitar o cargo.
A saída de Paulo Sandro, portanto, não representa apenas uma troca de presidente. É o fim de um ciclo marcado por sucessivas reconduções, questionamentos do Ministério Público e uma discussão cada vez maior sobre a necessidade de alternância no comando do Legislativo.
A Câmara agora terá de encontrar uma solução rápida.
Paulo Sandro sai.
A cadeira fica.
E o problema é descobrir quem terá coragem de sentar nela.
Foto Arquivo




Comentários