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Pela primeira vez em séculos, fé é barrada em Jerusalém no Domingo de Ramos

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 29 de mar.
  • 2 min de leitura

Em um episódio sem precedentes na história recente do cristianismo, a tradicional celebração do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, foi impedida pelas autoridades israelenses. O ato, que marca o início da Semana Santa no local considerado o mais sagrado da fé cristã, não aconteceu — algo que, segundo lideranças religiosas, não se via há séculos.


A decisão ocorreu em meio ao agravamento do conflito envolvendo Israel e o Irã, e atingiu diretamente figuras centrais da Igreja. O patriarca latino Pierbattista Pizzaballa e o frei Francesco Ielpo foram interceptados por policiais enquanto se dirigiam ao templo e impedidos de continuar. Ambos tiveram que retornar, sem conseguir realizar a celebração.


Em comunicado conjunto, o Patriarcado Latino de Jerusalém e a Custódia da Terra Santa classificaram o episódio como um “precedente grave”, destacando o impacto simbólico da interrupção. Para a Igreja, a medida ignora o peso espiritual do período para bilhões de cristãos em todo o mundo.


As restrições fazem parte de um pacote de segurança adotado após o início de uma ofensiva militar israelense, em 28 de fevereiro, com apoio dos Estados Unidos. Desde então, grandes aglomerações foram proibidas, inclusive em espaços religiosos, limitando encontros a cerca de 50 pessoas.


A polícia israelense justificou a decisão alegando riscos na Cidade Velha, uma área de difícil acesso para socorro em caso de ataques. Segundo a corporação, o local apresenta vulnerabilidades que podem colocar vidas em risco diante de situações com múltiplas vítimas, especialmente pela ausência de estruturas de proteção, como abrigos antibombas.


A medida não atingiu apenas os cristãos. A tradicional procissão do Domingo de Ramos, que parte do Monte das Oliveiras e costuma reunir milhares de peregrinos, foi cancelada. Durante o Ramadã, a Mesquita de Al-Aqsa também teve presença reduzida. Já o Muro das Lamentações registrou menor movimento às vésperas do Pessach.


A repercussão internacional foi imediata. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, classificou a ação como uma afronta à liberdade religiosa. O chanceler Antonio Tajani convocou o embaixador de Israel para esclarecimentos.


O presidente da França, Emmanuel Macron, também criticou a medida e manifestou apoio ao patriarcado de Jerusalém. Em declaração pública, apontou que a decisão se soma a um “aumento preocupante” de violações relacionadas ao status dos locais sagrados na cidade.


Até o momento, o governo israelense não apresentou um posicionamento oficial detalhado sobre o caso, e o Vaticano ainda não se manifestou formalmente.


O episódio lança uma sombra sobre o calendário religioso deste ano. O Domingo de Ramos, que tradicionalmente abre a Semana Santa e atrai milhares de peregrinos a Jerusalém, foi marcado por silêncio, ausência e tensão — um retrato de como o conflito ultrapassa fronteiras políticas e alcança, agora, o coração da fé.



 
 
 

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