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Petição protocolada minutos após ordem de prisão levanta suspeita de vazamento no caso Vorcaro

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 12 de fev.
  • 3 min de leitura

A detenção do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, passou a ser acompanhada por questionamentos sobre um possível vazamento de informação sigilosa. A Polícia Federal identificou que a defesa do executivo encaminhou uma petição à 10ª Vara Federal de Brasília apenas 18 minutos depois de o juiz Ricardo Leite assinar a ordem de prisão.


O mandado foi expedido às 15h29 do dia 17 de novembro. Às 15h47, os advogados enviaram e-mail à vara federal manifestando-se contra eventuais medidas cautelares que pudessem gerar, segundo a defesa, “impacto relevante” e “prejuízo irreversível” ao conglomerado financeiro.


Inicialmente, o cumprimento da prisão estava previsto para a manhã do dia seguinte. No entanto, diante da avaliação de que Vorcaro poderia deixar o país, a PF antecipou a operação. Ele foi preso por volta das 22h do mesmo dia, no aeroporto de Guarulhos, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Dubai, com escala em Malta.


Coincidência no horário e viagem internacional


Para os investigadores, a proximidade entre a assinatura da decisão judicial e o envio da petição, somada à tentativa de viagem considerada repentina, reforçou a suspeita de que a ordem de prisão possa ter sido conhecida antes de sua execução oficial.


À época, o inquérito tramitava na 10ª Vara Federal de Brasília. Posteriormente, os autos foram remetidos ao Supremo Tribunal Federal por decisão do ministro Dias Toffoli.


A defesa sustenta que a iniciativa teve caráter preventivo. Em nota, afirmou que buscou acesso à investigação e se colocou à disposição para colaborar, alegando desconhecer o número do inquérito e o juiz responsável. Segundo os advogados, a movimentação ocorreu após reportagens sobre a existência de apuração envolvendo o banco.


Questionamentos em depoimento


Em 30 de dezembro, Vorcaro foi ouvido pela Polícia Federal. A delegada Janaína Palazzo destacou a coincidência do protocolo na vara correta no mesmo dia da prisão e perguntou se ele havia tido acesso prévio à informação sobre o processo.


O empresário respondeu que medidas semelhantes já haviam sido adotadas em outras ocasiões após a divulgação de notícias e afirmou que “já sabia” da investigação devido a contatos de jornalistas. Negou ter recebido documento sigiloso e disse não se recordar de qualquer repasse de informação reservada.


Sobre a tentativa de embarque internacional, declarou que a viagem estava programada para tratar com investidores e classificou como “fora de contexto” a hipótese de fuga.


Argumentos apresentados à Justiça


Na petição encaminhada à Justiça Federal, os advogados afirmaram que o Banco Master e seus administradores estavam à disposição para prestar esclarecimentos e fornecer documentos, defendendo que não haveria fundamento para imposição de medidas cautelares.


O documento foi assinado por representantes de quatro escritórios de advocacia, entre eles nomes de destaque no meio jurídico. A defesa também argumentou que eventual decisão judicial não poderia contrariar avaliações do Banco Central.


Posteriormente, o próprio Banco Central informou ao Tribunal de Contas da União que decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro, citando crise de liquidez, descumprimento reiterado de normas e práticas ilícitas em operações de cessão de ativos.


Reunião com o Banco Central no mesmo dia


Horas antes da prisão, Vorcaro participou de videoconferência com dirigentes do Banco Central. O encontro tratou de negociações para buscar uma solução de mercado para o conglomerado financeiro. Segundo registro oficial, o empresário mencionou verbalmente que viajaria a Dubai para reuniões com investidores, mas não houve comunicação formal por escrito sobre a viagem.


No dia 28 de novembro, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares. Vorcaro passou a usar tornozeleira eletrônica, teve o passaporte retido, ficou proibido de manter contato com outros investigados e de deixar o município de São Paulo.


A apuração sobre eventual vazamento da decisão judicial segue em curso e pode trazer novos desdobramentos ao caso.



 
 
 

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