Petrobras lucra R$ 32,6 bilhões no trimestre e prevê impacto maior da crise no Oriente Médio nos próximos meses
- Marcus Modesto
- 12 de mai.
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A Petrobras divulgou nesta segunda-feira o balanço financeiro do primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 32,6 bilhões. O resultado representa uma queda de 7,2% em comparação com o mesmo período do ano passado, mas a estatal manteve forte geração de caixa e anunciou distribuição de R$ 9,3 bilhões em dividendos aos acionistas.
Mesmo diante da redução no lucro, a companhia registrou recorde histórico de produção de petróleo e gás natural nos três primeiros meses do ano. Segundo a empresa, a média diária chegou a 3,2 milhões de barris, crescimento de 16% sobre 2025. Desse total, cerca de 2,5 milhões de barris foram exclusivamente de petróleo.
A Petrobras informou que parte desse avanço operacional ainda não teve impacto total no faturamento devido ao prazo entre exportação, embarque e recebimento das vendas internacionais.
Produção cresce e investimentos avançam
De acordo com a estatal, os investimentos realizados nos últimos anos vêm impulsionando diretamente os resultados operacionais. O diretor financeiro da empresa, Fernando Melgarejo, destacou que a companhia mantém solidez financeira e capacidade de expansão mesmo em um cenário internacional instável.
A receita líquida da Petrobras ficou em R$ 123,7 bilhões no trimestre, praticamente estável na comparação anual. Já o Ebitda, indicador que mede a geração operacional de caixa, alcançou R$ 61,7 bilhões.
Os investimentos somaram US$ 5,1 bilhões entre janeiro e março, alta superior a 25% em relação ao mesmo período de 2025. A maior parte dos recursos foi destinada às áreas de exploração e produção de petróleo.
Guerra no Irã pressiona mercado internacional
A Petrobras avalia que os efeitos mais intensos da alta do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio deverão aparecer com mais força no balanço do segundo trimestre.
Durante os três primeiros meses do ano, o barril do Brent teve média de US$ 80,6. Com o agravamento do conflito envolvendo o Irã e as tensões no Estreito de Hormuz, os preços internacionais dispararam e chegaram a ultrapassar US$ 118 em abril.
Como a companhia exporta grande parte da produção nacional, a valorização do petróleo tende a ampliar a receita da estatal nos próximos meses.
Refino aumenta e diesel bate recorde
A empresa também ampliou a atividade de refino para reduzir a dependência de importações em meio à instabilidade global dos combustíveis.
A produção total de derivados cresceu 6,4%, atingindo 1,8 milhão de barris por dia. O principal destaque foi o diesel S-10, que alcançou recorde histórico de produção, com 512 mil barris diários.
As refinarias da Petrobras operaram com nível médio de utilização de 95% no trimestre, chegando a superar 97% em março — maior índice registrado desde 2014. Com isso, as importações de diesel pela companhia caíram 26%.
Governo busca conter alta dos combustíveis
Diante da disparada internacional dos preços, o governo Luiz Inácio Lula da Silva adotou medidas para tentar reduzir os impactos no mercado interno, incluindo a suspensão de impostos federais sobre combustíveis e programas de subsídio ao diesel, ações apoiadas pela Petrobras.
Ao final do trimestre, a estatal informou que sua dívida bruta alcançou US$ 72,1 bilhões, crescimento de 2% em relação ao fechamento de 2025, reflexo de novas operações de captação realizadas neste ano.




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