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PF aponta pagamento de propinas a ex-presidente do INSS em investigação sobre descontos ilegais

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 27 minutos
  • 2 min de leitura

A Polícia Federal concluiu uma etapa importante das investigações da Operação Sem Desconto e apontou que o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, teria recebido pagamentos frequentes para favorecer um esquema de descontos irregulares aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas.


De acordo com o relatório encaminhado ao ministro André Mendonça, os investigadores identificaram movimentações financeiras que incluiriam transferências via Pix, cheques e entregas de dinheiro em espécie. A apuração sustenta que, após assumir o comando do INSS, Stefanutto teria passado a receber valores mensais de R$ 250 mil.


Nas conversas analisadas pela PF, o ex-dirigente era citado pelo codinome “Italiano”. Os diálogos interceptados mencionam repasses de recursos a agentes públicos identificados por apelidos e classificados em categorias como “heróis”, “notáveis” e “amigos”, o que, segundo os investigadores, indicaria uma estrutura organizada de distribuição de vantagens indevidas.


A investigação também reuniu registros de reuniões realizadas em São Paulo entre representantes da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) e o então presidente do INSS. Em algumas dessas ocasiões, segundo a PF, também participou José Carlos Oliveira, que apareceria nas mensagens sob o codinome “Abou yasser”.


Entre as provas citadas no inquérito estão áudios e mensagens que tratam da entrega de cheques para viabilizar pagamentos. Em um dos registros, um operador afirma que o “Italiano” não poderia receber recursos por transferência bancária, optando pelo uso de cheques. Outra conversa faz referência a um depósito de R$ 250 mil realizado em 2022.


Os investigadores afirmam ainda que Stefanutto teria desempenhado papel central no esquema, com influência direta sobre decisões relacionadas aos pagamentos considerados irregulares. A PF sustenta que ele possuía conhecimento e participação relevante nas ações investigadas.


Ao todo, 48 pessoas foram indiciadas no âmbito de um dos principais inquéritos da Operação Sem Desconto. O relatório final foi enviado ao Supremo Tribunal Federal, que deverá analisar os próximos desdobramentos do caso.


As acusações integram a versão apresentada pela Polícia Federal e ainda serão submetidas à avaliação das autoridades competentes. Os investigados terão direito à ampla defesa e ao contraditório durante o andamento do processo.



 
 
 

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