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PF mira imóveis de alto padrão em Angra na operação que investiga lavagem de R$ 7,6 bilhões

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
há 4 minutos
4 min de leitura

Oitava fase da Operação Unha e Carne cumpriu mandados na Costa Verde e em outras seis cidades; investigação envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e participação de agentes públicos.


Angra dos Reis – Imóveis de alto padrão localizados em Angra dos Reis estão entre os alvos da oitava fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (15). A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis e possíveis conexões entre empresários, agentes públicos e articuladores políticos.


A operação colocou a Costa Verde no centro de mais um capítulo de uma investigação de grande dimensão no estado do Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado movimentou mais de R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026, de acordo com um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).


Em Angra, as diligências tiveram como foco endereços ligados a investigados. Imagens divulgadas durante a cobertura da operação mostram propriedades com estruturas de lazer sofisticadas, incluindo piscinas, academias particulares, quadras de areia e áreas destinadas à recepção de convidados.


A existência desses imóveis, por si só, não comprova irregularidades. O ponto central da investigação é apurar a origem dos recursos utilizados pelos suspeitos, a eventual ocultação de patrimônio e a possível relação entre os bens e as atividades econômicas investigadas.


Mansão em Angra chama a atenção pelas estruturas de lazer



O imóvel integra o conjunto de endereços submetidos a buscas na operação. Até o momento, as informações públicas consultadas não permitem estabelecer, de forma independente, o valor da propriedade nem detalhar todos os elementos que levaram os investigadores a incluí-la na apuração.



A diligência em Angra é relevante para a investigação patrimonial, que procura identificar bens e recursos relacionados aos suspeitos. No entanto, a presença de um imóvel na lista de endereços vistoriados não significa, por si só, que o bem tenha sido adquirido com dinheiro ilícito ou que seu proprietário tenha cometido um crime.

Seis pessoas foram presas na operação


A Polícia Federal cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em sete municípios: Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. Segundo a corporação, os seis alvos de prisão foram detidos.


Entre os presos estão o deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), e Marcus Amim, delegado e ex-secretário estadual de Polícia Civil.

Também foram presos os inspetores José Carlos Alves de Souza Júnior, Christiano Gaspar Fernandes, Giovanni Gaspar Fernandes e Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, conforme as informações divulgadas sobre a operação.


Em uma residência em Camboinhas, Niterói, agentes encontraram R$ 40 mil em espécie dentro de uma adega ligada ao inspetor José Carlos Alves de Souza Júnior. De acordo com a investigação, ele seria um dos responsáveis pela gestão financeira do grupo.


Investigação aponta rede de postos como estrutura de lavagem

Segundo a Polícia Federal, a organização investigada teria utilizado uma rede de postos de combustíveis para ocultar e dar aparência legal a recursos de origem criminosa.


A Justiça determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas apontadas como ligadas ao esquema. Desse total, 96 são postos de combustíveis e revendas associadas, segundo a corporação.

A apuração considera dados de inteligência financeira do Coaf que apontam movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos. Esse montante representa o volume financeiro identificado na investigação, e não necessariamente o valor comprovado como produto de crime.

Os investigadores também apuram suspeitas de corrupção, organização criminosa armada, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel. A responsabilidade de cada investigado deverá ser esclarecida no decorrer do processo.


Possível participação de agentes públicos


A investigação aponta suspeitas de que agentes públicos teriam atuado para favorecer os interesses do grupo, inclusive por meio de acesso a informações e articulações institucionais.

Márcio Canella é apontado pelos investigadores como possível articulador político, enquanto Marcus Amim é suspeito de ter utilizado sua influência em cargos públicos para oferecer proteção institucional às atividades investigadas. Essas são acusações sob apuração e ainda dependem de comprovação judicial.

A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro.


O que a operação representa para Angra e a Costa Verde


A presença de Angra dos Reis entre os municípios alcançados pela operação amplia o alcance regional de uma investigação que tem como eixo uma suposta estrutura financeira ligada ao comércio de combustíveis.

Para a Costa Verde, o caso também levanta questões sobre a identificação de patrimônio, a origem de recursos utilizados na aquisição de imóveis de alto padrão e os mecanismos de fiscalização de atividades econômicas. Essas questões, porém, precisam ser examinadas com base em documentos e provas, sem presumir irregularidades a partir do padrão de vida ou da localização dos imóveis.

Até a divulgação das informações consultadas, a Polícia Federal não havia apresentado publicamente um detalhamento completo e individualizado sobre todos os elementos apreendidos em Angra dos Reis. Também não havia sido possível confirmar, nas fontes consultadas, uma relação direta entre a mansão localizada no município e uma transação financeira específica investigada.

A investigação segue em andamento. Os suspeitos têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência, e a confirmação de eventuais crimes dependerá da análise das provas e das decisões judiciais.



 
 
 

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