PF prende deputado Thiago Rangel em investigação sobre fraudes na Educação do RJ
- Marcus Modesto
- há 24 horas
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A prisão do deputado estadual Thiago Rangel (Avante), realizada na manhã desta terça-feira (5), marca um novo avanço da Polícia Federal em uma investigação que agora alcança o coração da Secretaria Estadual de Educação do Rio (Seeduc). A ação faz parte da quarta fase da Operação Unha e Carne.
As ordens judiciais, expedidas pelo Supremo Tribunal Federal, incluem sete mandados de prisão preventiva e 23 de busca e apreensão, cumpridos em cidades como Rio de Janeiro, Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana.
Esquema sob suspeita
De acordo com as investigações, o foco está em um possível esquema de direcionamento de contratos dentro da rede estadual de ensino. A Polícia Federal aponta que unidades escolares teriam sido induzidas a contratar empresas previamente alinhadas ao grupo investigado, especialmente em serviços e obras de manutenção.
O dinheiro público, após ser liberado, seguiria um fluxo considerado atípico: saques em espécie e transferências sucessivas que, segundo os investigadores, ajudariam a abastecer uma engrenagem financeira estruturada para ocultar a origem dos valores. Parte desses recursos teria sido diluída em operações comerciais de uma rede de postos de combustíveis.
Os crimes investigados incluem organização criminosa, peculato, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.
De vereador a deputado
Natural de Campos dos Goytacazes, Thiago Rangel construiu sua trajetória política nos últimos anos. Antes de ocupar cargos eletivos, teve passagens pelo Instituto de Pesos e Medidas do Estado (IPEM-RJ) e pelo Departamento de Transportes Rodoviários (Detro-RJ).
Ganhou projeção ao ser eleito vereador em 2020, chegando à Assembleia Legislativa em 2022 com mais de 31 mil votos. No parlamento, atuava em pautas ligadas à economia regional, saúde e educação.
Ligações com outras investigações
A Operação Unha e Carne teve origem em apurações sobre vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho. Com o aprofundamento das investigações, surgiram conexões entre agentes públicos e estruturas criminosas.
Entre os nomes envolvidos em fases anteriores está o ex-deputado Rodrigo Bacellar, já preso, além do desembargador Macário Ramos Júdice Neto, apontado como possível elo no repasse de informações privilegiadas.
Novo eixo da operação
Nesta etapa, a investigação amplia o alcance e passa a mirar diretamente o uso de verbas da educação estadual. A ofensiva integra a Missão Redentor II, estratégia da Polícia Federal voltada ao enfraquecimento financeiro de organizações criminosas.
A defesa de Thiago Rangel não foi localizada até o momento. O espaço segue aberto para posicionamento.




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