Pix dribla resistência de Trump e avança nos EUA, expondo contradições do discurso protecionista
- Marcus Modesto
- 24 de jul. de 2025
- 3 min de leitura
Enquanto Donald Trump insiste em atacar o Pix e pressionar o governo americano a conter o avanço do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, a realidade nos Estados Unidos aponta para outro caminho: a inovação venceu a retórica. A partir deste mês, turistas brasileiros já podem fazer compras em território americano e pagar direto pelo Pix — em reais, sem cartão de crédito e com conversão automática.
A novidade, viabilizada pela parceria entre a fintech brasileira PagBrasil e a gigante Verifone, representa um marco inédito para a internacionalização do sistema criado pelo Banco Central do Brasil. E expõe, ao mesmo tempo, o desconforto crescente do ex-presidente Trump com soluções tecnológicas que não nascem no Vale do Silício — mas que funcionam.
Avanço do Pix escancara medo da concorrência
A crítica do governo Trump, expressa em relatório do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), revela mais do que uma suposta preocupação com a “concorrência desleal”. Trata-se de uma reação típica de quem vê a hegemonia norte-americana ameaçada por um modelo eficiente, gratuito e popular — e que não pertence às big techs americanas.
Segundo o documento, o Pix representaria um risco à competitividade de ferramentas como Apple Pay e Google Pay. O que não se diz, porém, é que essas plataformas operam com taxas mais altas, dependem de cartões vinculados a grandes bancos e não oferecem a mesma velocidade, integração e simplicidade do modelo brasileiro.
Ou seja: o problema de Trump com o Pix não é o sistema em si. É o fato de que ele nasceu fora dos EUA e funciona bem demais — mesmo sem estar acoplado a um grande conglomerado financeiro ou tecnológico americano.
Tecnologia brasileira em solo americano
Com a nova funcionalidade, lojistas em cidades como Nova York e Miami já podem aceitar Pix em reais. Basta digitar o valor em dólares, gerar um QR Code e o brasileiro paga direto com o app do seu banco. O comerciante recebe em dólares, e o cliente sabe exatamente quanto está pagando, com IOF incluso. Tudo em segundos.
É uma solução pensada para o consumidor, e não para o intermediário. Algo raro em um mercado onde, tradicionalmente, as operadoras de cartão ditam as regras. Só em 2024, mais de 2 milhões de brasileiros visitaram os EUA, movimentando mais de US$ 4 bilhões em compras. A expectativa é de crescimento ainda maior com a Copa do Mundo de 2026.
Um retrato do atraso ideológico trumpista
A tentativa de travar o Pix é apenas mais um exemplo do nacionalismo econômico raso e contraditório promovido por Donald Trump. Um discurso que ataca qualquer inovação estrangeira, mesmo que beneficie os próprios consumidores e lojistas americanos. Em nome da “América acima de tudo”, Trump tenta proteger modelos ultrapassados e manter o domínio de um sistema financeiro que há muito deixou de ser eficiente ou justo.
O mesmo governo que prega o livre mercado, a inovação e o empreendedorismo se volta contra uma tecnologia que democratiza o acesso ao pagamento digital e reduz custos para empresas e consumidores. Não por acaso, o ataque ao Pix vem junto da insatisfação com a imposição de multas a big techs que descumprem leis brasileiras. Trump, mais uma vez, escolhe o lado das corporações, não o dos cidadãos — nem dos seus.
Brasil exporta inovação, e o mundo adota
Enquanto isso, o Pix segue ganhando o mundo. O que começou como uma alternativa moderna ao TED e ao DOC, hoje se transforma em símbolo de soberania tecnológica e solução acessível para milhões de brasileiros. Agora, também para quem viaja.
O desconforto de Trump é, no fundo, um reconhecimento: o Brasil criou algo que funciona — e isso incomoda. Incomoda tanto que, em vez de competir com qualidade, preferem barrar com burocracia. Mas a inovação é como o Pix: instantânea, eficiente e difícil de conter.




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