Polícia Federal prende ex-prefeito de Lajeado em nova fase da Operação Lamaçal
- Marcus Modesto
- 26 de fev.
- 2 min de leitura
A Polícia Federal cumpriu, nesta quinta-feira (26), mandado de prisão temporária contra o ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo (União Brasil), no âmbito da segunda fase da Operação Lamaçal. A medida tem prazo inicial de cinco dias, podendo ser prorrogada conforme o andamento das investigações.
A ação apura suspeitas de desvio de verbas federais destinadas à reconstrução do município após as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024. Além do ex-prefeito, uma empresária, cuja identidade não foi divulgada, também foi presa.
Recursos da calamidade sob investigação
As apurações envolvem repasses do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS), direcionados ao atendimento emergencial e à recuperação da cidade depois da cheia histórica do rio Taquari. O desastre colocou o município entre os mais afetados do estado, com bairros inteiros alagados.
De acordo com a investigação, há indícios de irregularidades em contratos firmados entre a prefeitura e a empresa Arki Serviços. A contratação teria ocorrido com dispensa de licitação, justificada pela situação de calamidade pública. A suspeita é de que os valores pagos estariam acima dos praticados no mercado para a prestação de serviços terceirizados. Os dois contratos analisados somam cerca de R$ 120 milhões.
Na primeira etapa da operação, deflagrada em novembro de 2025, Marcelo Caumo ocupava o cargo de secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Mobilidade no governo de Eduardo Leite (PSD). Dois dias após a ação policial, ele deixou o posto. À época, negou qualquer irregularidade. A defesa do ex-prefeito não se manifestou até a publicação desta matéria.
A empresa citada informou anteriormente que está colaborando com as autoridades e reafirmou compromisso com a legalidade e a transparência.
Mandados em diversas cidades
Nesta nova fase, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. As diligências ocorreram em Lajeado, Porto Alegre, Encantado, Fazenda Vilanova, Garibaldi, Muçum, Novo Hamburgo e Salvador do Sul.
Segundo a Polícia Federal, os investigados poderão responder por crimes como desvio ou aplicação indevida de recursos públicos, contratação direta ilegal, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A atual administração municipal não é alvo da investigação.
Foto reprodução




Comentários