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Polícia Civil e MPRJ desarticulam esquema que movimentou mais de R$ 100 milhões para facções criminosas

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 1 minuto
  • 2 min de leitura

Uma operação conjunta da Polícia Civil do Rio de Janeiro e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) realizada nesta quarta-feira (15) resultou na prisão de 10 pessoas e no cumprimento de 37 mandados de busca e apreensão em quatro estados brasileiros. Batizada de Operação Hawala, a ação mira uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro ligada ao tráfico de drogas, que teria movimentado mais de R$ 100 milhões entre 2021 e 2024.


As investigações apontam que o esquema prestava serviços financeiros para facções criminosas como o Terceiro Comando Puro (TCP), o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), utilizando empresas de fachada para ocultar e dar aparência de legalidade aos recursos provenientes de atividades ilícitas.


O caso ganhou dimensão internacional após a identificação de uma possível conexão financeira com um indivíduo apontado por autoridades estrangeiras como integrante de uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda. Segundo a investigação, uma empresa ligada aos suspeitos mantinha relação comercial com esse indivíduo, que é alvo de sanções do Office of Foreign Assets Control (OFAC), órgão vinculado ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.


A operação foi coordenada pela Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio de equipes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). As ações ocorreram no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e em Foz do Iguaçu.


As apurações tiveram início na comunidade do São Carlos, na região central da capital fluminense, área de atuação do TCP. Com o avanço das investigações, os agentes identificaram uma estrutura financeira que funcionava como uma espécie de central de lavagem de dinheiro para diferentes organizações criminosas.


De acordo com a Polícia Civil, empresários de origem libanesa que atuavam em empresas registradas em São Paulo e Minas Gerais integravam um núcleo responsável pela circulação interestadual e internacional de recursos ilícitos. Também foram identificados indícios de atuação do grupo na região da Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina, considerada estratégica por órgãos de segurança devido ao histórico de investigações relacionadas à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.


A análise financeira, realizada com apoio do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), revelou que apenas uma das operadoras financeiras investigadas administrava empresas que movimentaram mais de R$ 47 milhões durante o período apurado. Um contador também é alvo da investigação por supostamente auxiliar na criação e manutenção das estruturas empresariais utilizadas para ocultar a origem criminosa dos recursos.


Segundo os investigadores, o material apreendido durante a operação poderá aprofundar as apurações sobre a rede financeira e suas possíveis conexões nacionais e internacionais. O caso segue sob investigação..



 
 
 

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