Polícia desarticula esquema suspeito de comercialização de remédios oncológicos falsificados no Rio
- Marcus Modesto
- há 1 hora
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A Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou nesta quarta-feira (16) uma operação para investigar um suposto esquema de venda de medicamentos falsificados destinados ao tratamento de pacientes com câncer. A ação ocorreu em imóveis localizados nos bairros de Guadalupe e Vista Alegre, na Zona Norte da capital.
Durante o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão, agentes recolheram medicamentos, documentos e outros materiais que serão analisados por peritos. Duas pessoas ligadas à empresa investigada foram conduzidas para prestar depoimento e auxiliar nas investigações.
De acordo com a polícia, o grupo é suspeito de comercializar versões irregulares do medicamento Imbruvica 140 mg, utilizado no tratamento de determinados tipos de leucemia e linfoma. A investigação começou após uma denúncia encaminhada pela Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), que apontou indícios de fraude na comercialização do produto.
Os investigadores apuraram que o medicamento era oferecido a hospitais e pacientes por valores elevados, chegando a ultrapassar R$ 34 mil por caixa. A negociação previa pagamento antecipado, prática que levantou suspeitas e motivou uma apuração mais aprofundada.
Exames realizados pela fabricante do medicamento e por equipes de perícia confirmaram inconsistências no produto. Segundo a investigação, o número de lote informado nas embalagens não correspondia a nenhum registro oficial da indústria responsável pela fabricação do remédio.
A Polícia Civil também constatou que a empresa se apresentava como fornecedora de produtos hospitalares, mas operava em um imóvel utilizado como depósito e centro de distribuição sem as autorizações sanitárias exigidas pelos órgãos competentes.
Entre os investigados estão uma profissional da área de enfermagem e um estudante de Direito. A suspeita é de que os conhecimentos técnicos dos envolvidos tenham sido utilizados para conferir aparência de legalidade às atividades da empresa.
Os responsáveis poderão responder por crimes relacionados à falsificação e adulteração de medicamentos, além de infrações contra as relações de consumo. A investigação prossegue para identificar possíveis cúmplices, rastrear a distribuição dos produtos e localizar eventuais vítimas do esquema.
