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Preso pela PF, “Sicário” tenta suicídio em cela em Belo Horizonte

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 4 de mar.
  • 2 min de leitura

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, tentou tirar a própria vida na tarde desta quarta-feira (4) depois de ser preso pela Polícia Federal, em Belo Horizonte. Ele é investigado na Operação Compliance Zero, que apura suposta estrutura montada para monitorar e intimidar adversários do banqueiro Daniel Vorcaro.


De acordo com a corporação, Mourão foi detido e levado à Superintendência da PF na capital mineira. Já sob custódia, atentou contra a própria vida.


Atendimento emergencial


Em nota, a PF informou que agentes iniciaram imediatamente os procedimentos de reanimação e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A equipe médica deu continuidade ao socorro no local e o custodiado foi encaminhado a uma unidade hospitalar para avaliação.


O caso foi comunicado ao gabinete do ministro André Mendonça, relator da investigação no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a Polícia Federal, os registros em vídeo que mostram a dinâmica do episódio serão enviados à Corte.


Defesa diz ter sido surpreendida


Procurada, a defesa afirmou ter recebido a informação com surpresa e disse que um advogado se deslocou até a sede da PF em Belo Horizonte. Durante depoimento, Mourão exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio. A audiência de custódia estava prevista para esta quarta-feira.


Os advogados declararam que só irão se manifestar após acesso integral aos autos que embasaram a prisão.


Estrutura paralela de monitoramento


As investigações apontam que Mourão liderava um grupo informal chamado “A Turma”, voltado à vigilância e coleta de informações sobre pessoas ligadas às apurações ou críticas ao grupo investigado. A PF sustenta que ele receberia cerca de R$ 1 milhão mensais para executar os supostos serviços ilícitos.


Também há indícios de consultas indevidas a sistemas restritos de órgãos públicos, com uso de credenciais de terceiros para acessar bases da própria PF, do Ministério Público Federal e até sistemas internacionais.


Decisão do STF menciona plano contra jornalista


Na decisão que autorizou as prisões, André Mendonça registrou indícios de que Vorcaro teria discutido com Mourão a simulação de um assalto — ou situação semelhante — com a finalidade de “prejudicar violentamente” o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.


Segundo o ministro, a suposta intenção seria silenciar vozes da imprensa que publicassem conteúdos contrários a interesses privados. Em nota, o jornal repudiou qualquer iniciativa criminosa contra o profissional.


Antecedentes e questionamentos jurídicos


Desde 2021, Mourão responde a ação do Ministério Público de Minas Gerais por suspeitas de lavagem de dinheiro, organização criminosa e crime contra a economia popular. O órgão aponta que ele e outros investigados teriam operado um esquema de pirâmide financeira entre 2018 e 2021, movimentando cerca de R$ 28 milhões em contas vinculadas ao grupo.


No processo, a defesa sustenta que parte das provas teria sido obtida sem autorização judicial, o que poderia gerar nulidade. Também questiona a atuação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), sob o argumento de que informações bancárias teriam sido acessadas sem decisão formal de quebra de sigilo.


As investigações seguem em curso.

Foto Reprodução


 
 
 

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