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Pressão sobre a mídia: governo Trump eleva o tom contra emissoras que cobrem guerra com o Irã

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 16 de mar.
  • 2 min de leitura

A tensão entre a Casa Branca e os meios de comunicação ganhou um novo capítulo após declarações do presidente da Federal Communications Commission, Brendan Carr. Ele afirmou que emissoras de televisão dos Estados Unidos poderão enfrentar dificuldades na renovação de suas licenças caso continuem divulgando o que classificou como “informações distorcidas” sobre a guerra entre os Estados Unidos e o Irã.


A advertência foi feita no sábado (14), quando o conflito já entrava na terceira semana. Carr declarou que os canais de TV têm obrigação legal de atuar no “interesse público” e sugeriu que, se houver persistência na divulgação de notícias consideradas imprecisas, a comissão poderá rever as autorizações de funcionamento das emissoras.


A fala veio logo após críticas do presidente Donald Trump a uma reportagem do The Wall Street Journal. O jornal noticiou um ataque contra aeronaves de reabastecimento dos Estados Unidos em território da Arábia Saudita. Trump reagiu nas redes sociais, classificando a manchete como “enganosa” e acusando parte da imprensa de adotar uma postura contrária aos interesses do país.


Pentágono também questiona cobertura


A insatisfação com a cobertura jornalística não se limitou à Casa Branca. Durante uma coletiva, o secretário de Defesa Pete Hegseth criticou reportagens da CNN sobre os desdobramentos da guerra no Oriente Médio.


Hegseth mencionou ainda as negociações envolvendo o empresário David Ellison, proprietário da Skydance Media, que discute uma possível fusão bilionária com a Warner Bros. Discovery. Caso a operação avance, a CNN poderia passar a integrar um novo grupo empresarial sob influência do bilionário, que já promoveu mudanças editoriais de perfil mais conservador em outras empresas do setor.


Cassação de licença é medida rara


Especialistas em regulação da comunicação lembram que a retirada da licença de uma emissora é um procedimento extremamente incomum nos Estados Unidos. A legislação que rege o setor impõe limites claros ao uso da regulação como ferramenta de censura governamental.


Reação de parlamentares democratas


As declarações de Carr provocaram reação imediata entre parlamentares democratas. A senadora Elizabeth Warren afirmou que a ameaça lembra práticas de regimes autoritários. Já o senador Mark Kelly declarou que, em momentos de conflito internacional, o trabalho da imprensa precisa ser protegido contra pressões políticas.


A organização Foundation for Individual Rights and Expression também criticou a postura do dirigente da FCC, apontando que sua atuação tem sido marcada por tentativas de intimidar veículos de comunicação.


Analistas observam que o embate entre o governo Trump e a imprensa vem se intensificando. Carr já havia defendido investigações sobre o conteúdo político de programas populares da televisão americana, como Jimmy Kimmel Live! e The View, ampliando o debate sobre liberdade de expressão em meio ao clima de guerra e às disputas políticas internas nos Estados Unidos.



 
 
 

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