Primeiro dia de oitivas da CPMI do INSS é marcado por tensão entre relator e delegado da PF
- Marcus Modesto
- 29 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
O primeiro dia de oitivas da CPMI do INSS, realizado nesta quinta-feira (28), foi marcado por tensão entre o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), e o delegado da Polícia Federal Bruno Bergamaschi. Durante reunião sigilosa, Gaspar chegou a ameaçar dar voz de prisão ao delegado, após a recusa deste em responder questionamentos sobre associações investigadas no esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões.
Segundo apuração da CNN, o impasse ocorreu quando Bergamaschi limitou suas respostas, alegando não poder detalhar informações sigilosas. O clima acirrado foi contornado após intervenção do presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG).
Pouco depois, Alfredo Gaspar explicou à imprensa que a divergência surgiu sobre os limites do depoimento do delegado. “Nós tivemos uma discordância sobre o que poderia ser falado ou não. Porque tinha muita coisa publicizada e o delegado estava interpretando que mesmo sobre o publicizado e as operações realizadas, ele não poderia falar”, declarou. A restrição foi determinada por um habeas corpus concedido pelo ministro do STF André Mendonça, que autorizava Bergamaschi a comentar apenas fatos já divulgados publicamente.
Além de Bergamaschi, a comissão ouviu a defensora pública Patrícia Bettin Chaves, coordenadora da Câmara de Coordenação e Revisão Previdenciária da Defensoria Pública da União (DPU). A oitiva marcou oficialmente o início das investigações sobre o esquema bilionário, revelado em abril por uma operação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU).
A fraude envolve entidades que aplicavam descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas sem autorização, gerando prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. O caso atingiu principalmente pessoas em situação de vulnerabilidade que dependem integralmente da renda previdenciária.
Com a abertura das oitivas, a CPMI busca identificar responsáveis, entidades envolvidas e falhas de fiscalização que permitiram a continuidade do esquema. O episódio entre o relator e o delegado evidenciou a sensibilidade das investigações e a pressão política em torno do caso desde o início dos trabalhos da comissão.




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