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Programa da Prefeitura vai ouvir moradores, mas eficácia das ações ainda gera dúvidas em Angra

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 30 de mar.
  • 2 min de leitura

A Prefeitura de Angra dos Reis anunciou mais uma rodada de visitas do Programa Comunidades de Angra (PCA), desta vez nos morros do Abel e da Carioca, com a proposta de ouvir demandas da população e levantar prioridades para investimentos públicos. A iniciativa acontece nos dias 31 de março e 1º de abril, com atendimento em pontos estratégicos das duas localidades.


No primeiro dia, a equipe estará no Morro do Abel, com base montada em frente à Escola Municipal José Américo Lomeu Bastos. Já na quarta-feira, os atendimentos seguem para o Morro da Carioca, na Rua Lincoln Corrêa da Silva. Além dos pontos fixos, entrevistadores também percorrerão casas e comércios, registrando as solicitações da população em formulários digitais.


A proposta, segundo a administração municipal, é mapear necessidades e orientar futuras ações da Secretaria de Relações Institucionais. No entanto, iniciativas desse tipo costumam esbarrar em um problema recorrente: a distância entre ouvir e, de fato, resolver.


Moradores de diversas comunidades de Angra já participaram de ações semelhantes em anos anteriores, muitas vezes relatando as mesmas carências — como infraestrutura precária, problemas de mobilidade urbana e falta de serviços básicos. A repetição dessas demandas levanta questionamentos sobre a efetividade dos diagnósticos já realizados e sobre o tempo de resposta do poder público.


Embora o discurso oficial destaque a importância da escuta ativa, a ausência de prazos claros, metas definidas e transparência na execução das melhorias prometidas acaba gerando desconfiança entre os moradores. Afinal, ouvir a população é apenas o primeiro passo — o desafio real está na entrega.


Outro ponto sensível é a limitação do horário de atendimento, concentrado em poucas horas do dia, o que pode restringir a participação de trabalhadores que não conseguem comparecer ou receber os entrevistadores em casa.


A iniciativa pode representar uma oportunidade de aproximação entre governo e comunidade. No entanto, sem resultados concretos e acompanhamento público das demandas registradas, corre o risco de se tornar apenas mais uma ação pontual, sem impacto duradouro na realidade dos bairros atendidos.

Foto Divulgação


 
 
 

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