PSOL vive disputa interna sobre possível federação com PT, PV e PCdoB
- Marcus Modesto
- 5 de mar.
- 3 min de leitura
O PSOL atravessa um momento de tensão interna às vésperas de uma decisão considerada decisiva para os rumos da legenda. A executiva nacional do partido se reúne neste sábado para avaliar a entrada em uma federação partidária com Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Verde (PV) e Partido Comunista do Brasil (PCdoB).
A proposta tem provocado intensos debates entre as correntes do partido. Um dos principais grupos que defendem a adesão é a corrente Revolução Solidária, ligada ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e à deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP).
Entretanto, setores influentes da legenda resistem à ideia. Correntes como Primavera Socialista e Movimento Esquerda Socialista avaliam que a federação pode comprometer a autonomia política do partido e limitar sua atuação independente.
Correntes contrárias articulam bloqueio
Lideranças dessas alas afirmam ter maioria na executiva nacional e trabalham para impedir que o PSOL formalize a adesão à federação liderada pelo PT.
Entre os críticos da proposta está o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ). O parlamentar sustenta que a aliança poderia reduzir a independência programática do partido e restringir sua capacidade de conduzir pautas próprias.
Segundo ele, uma federação com o PT poderia acabar condicionando decisões eleitorais e políticas do PSOL, diminuindo sua margem de atuação em temas estratégicos defendidos pela legenda.
Cálculo eleitoral pesa na discussão
O convite para integrar a federação partiu do presidente nacional do PT, Edinho Silva, dentro de uma estratégia voltada para as próximas eleições e para o cumprimento das regras da cláusula de barreira.
Pelas normas eleitorais atuais, os partidos precisam eleger pelo menos 13 deputados federais distribuídos em um terço dos estados ou alcançar 2,5% dos votos válidos em âmbito nacional para manter acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda eleitoral.
Manifesto gera reação e saída de militantes
Na última quarta-feira, o grupo ligado a Boulos publicou um manifesto nas redes sociais defendendo a união das forças progressistas. O documento argumenta que a convergência entre partidos de esquerda seria necessária diante de desafios políticos e econômicos.
A iniciativa, no entanto, gerou reação dentro da própria corrente Revolução Solidária. Pelo menos 47 integrantes anunciaram desligamento do grupo, alegando discordância com os rumos adotados pela direção.
Em nota, os dissidentes afirmaram que houve uma mudança na orientação política da corrente e criticaram a aproximação entre Boulos e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Disputa no Rio também influencia o debate
A resistência à federação também passa pelo cenário político no Rio de Janeiro. O PT articula apoio à possível candidatura do prefeito Eduardo Paes (PSD) ao governo estadual.
Nesse contexto, uma das vagas ao Senado na chapa de Paes poderia ser destinada à deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), o que gera desconforto em setores do PSOL interessados em lançar candidaturas próprias no estado.
Enquanto a corrente ligada a Boulos enfrenta perda de apoio interno, outros grupos defendem a manutenção da atual federação entre o PSOL e a Rede Sustentabilidade, além de apoio à reeleição de Lula.
Cargo no governo amplia críticas internas
Nos bastidores da legenda, dirigentes avaliam que a relação entre Boulos e parte do partido se deteriorou após sua nomeação para a Secretaria-Geral da Presidência.
Embora a executiva nacional tenha aprovado sua ida para o governo federal, correntes minoritárias defendiam que a decisão deveria ter sido amplamente debatida com a militância e as instâncias internas do partido.
Procurados para comentar as críticas, Boulos não respondeu. Erika Hilton informou que não poderia conceder entrevista por motivos de saúde. Já a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, também não se manifestou sobre o assunto.




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