PT muda estratégia de Lula e passa a defender reforma do Judiciário diante de avanço de Flávio Bolsonaro
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em uma nova fase a menos de um mês das eleições. Diante da avaliação de que a disputa com Flávio Bolsonaro (PL) ficou mais equilibrada, a direção nacional do PT decidiu abandonar parte da estratégia adotada até agora e ampliar o tom das críticas, ao mesmo tempo em que pretende apresentar propostas para mudanças no funcionamento do Judiciário.
A decisão foi tomada durante uma reunião de emergência da Executiva Nacional do partido, realizada nesta quinta-feira (10). Entre as medidas defendidas está a criação de mandatos para ministros das cortes superiores, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF).
Atualmente, os ministros do STF permanecem no cargo até a aposentadoria compulsória, aos 75 anos. O PT, porém, ainda não estabeleceu qual seria o período dos futuros mandatos.
A proposta aparece em um momento de forte pressão política sobre o Supremo e de preocupação dos petistas com o desempenho eleitoral de Lula. Uma pesquisa AtlasIntel mencionada nas discussões internas aponta Flávio Bolsonaro com 46,4% das intenções de voto contra 46,2% de Lula em uma eventual disputa de segundo turno.
Partido admite necessidade de mudar a campanha
A avaliação de que houve erros na condução da campanha também ganhou espaço dentro do PT. Presidente nacional da legenda e responsável pela coordenação da campanha de Lula, Edinho Silva reconheceu que o cenário eleitoral sofreu alterações rápidas e que a estratégia precisa acompanhar esse movimento.
Segundo ele, a campanha precisa responder às mudanças registradas no ambiente político e apresentar propostas capazes de dialogar com as novas preocupações do eleitorado.
A resolução aprovada pelo partido inclui, além dos mandatos para integrantes das cortes superiores, a criação de códigos de ética para os tribunais, medidas contra supersalários e benefícios considerados privilégios, além do endurecimento de punições para crimes como corrupção, peculato e tráfico de influência envolvendo integrantes do Judiciário.
Crise do STF passa a pesar na disputa eleitoral
As divergências envolvendo ministros do Supremo também passaram a fazer parte do cálculo eleitoral do PT. O conflito que envolve André Mendonça e Alexandre de Moraes ganhou importância nas discussões internas justamente em um momento em que a campanha de Lula busca recuperar terreno.
Até então, dirigentes petistas evitavam ataques mais contundentes a Mendonça. Entre as razões estava a preocupação com o eleitorado evangélico, segmento em que Lula enfrenta resistência, além do receio de que críticas ao ministro acabassem ampliando a discussão sobre a relação do governo com Alexandre de Moraes.
Agora, a orientação é diferente. A ideia discutida internamente é que dirigentes e militantes assumam críticas mais duras, enquanto Lula concentre sua atuação em propostas para um eventual quarto mandato.
Entre os temas que podem ganhar espaço está o combate às apostas on-line. O partido avalia endurecer as medidas contra as chamadas bets, diante da preocupação com o endividamento de pessoas que utilizam essas plataformas.
Lula tenta manter distância de confronto direto com Moraes
Alexandre de Moraes permanece como um dos pontos mais delicados para a campanha. A estratégia petista não prevê uma defesa incondicional do ministro, mas também não aponta para um rompimento político.
A posição defendida por Lula tem sido a de que denúncias ou suspeitas devem ser apuradas e que nenhum agente público está acima da lei.
O assunto ganhou ainda mais peso diante da sessão extraordinária convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin, para a próxima terça-feira (15). Na ocasião, o plenário deverá analisar o relatório da Polícia Federal que reúne diálogos envolvendo Moraes e o empresário Daniel Vorcaro.
Com isso, um tema que inicialmente era tratado pelo PT como uma crise institucional fora da campanha passou a interferir diretamente na estratégia eleitoral do partido.
A mudança revela a preocupação da legenda com as últimas semanas da corrida eleitoral e com a necessidade de Lula recuperar espaço em uma disputa que, segundo as próprias avaliações internas do PT, se tornou mais apertada.




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