Quaest: volta dos Bolsonaro ao poder assusta 45% dos brasileiros, acima do temor pela reeleição de Lula
Pesquisa divulgada na véspera do segundo turno mostra que o retorno da família Bolsonaro à Presidência é o cenário que provoca mais receio entre os entrevistados.
A possibilidade de Flávio Bolsonaro (PL) chegar à Presidência da República provoca preocupação entre uma parcela expressiva dos brasileiros. Pesquisa Quaest divulgada neste sábado (24), véspera do segundo turno, aponta que 45% dos entrevistados afirmam temer a volta da família Bolsonaro ao comando do país. Já 42% dizem ter medo da continuidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio do Planalto.
O resultado revela um país dividido, mas também mostra que o retorno do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro desperta mais apreensão do que a permanência de Lula no governo, segundo os dados apresentados pelo levantamento.
Na pesquisa anterior, divulgada na quarta-feira (21), o temor relacionado à volta dos Bolsonaro era de 44%. O índice subiu um ponto percentual, enquanto o percentual de pessoas que receiam a reeleição de Lula permaneceu em 42%.
A diferença é pequena e está dentro da margem de erro do levantamento, de dois pontos percentuais. Portanto, os números não permitem afirmar que exista uma vantagem estatisticamente conclusiva entre os dois cenários de medo.
O peso do sobrenome Bolsonaro na disputa
A candidatura de Flávio Bolsonaro representa a tentativa de continuidade política do grupo liderado por seu pai, Jair Bolsonaro. Por isso, o resultado da pesquisa coloca no centro do debate não apenas os candidatos, mas também o legado político do bolsonarismo e as consequências de um eventual retorno desse grupo ao governo federal.
Para os críticos da família Bolsonaro, o resultado reforça a importância de discutir o histórico político do grupo, suas propostas para o país e as controvérsias que marcaram sua trajetória. Uma eleição presidencial exige que os eleitores avaliem não apenas promessas de campanha, mas também posições públicas, compromissos democráticos e a capacidade de apresentar respostas para os problemas nacionais.
A candidatura de Flávio também precisa ser examinada por suas próprias propostas e declarações, sem que o sobrenome funcione como substituto de um debate concreto sobre economia, saúde, educação, segurança pública e políticas sociais.
Expectativa de vitória não significa intenção de voto
O levantamento também investigou quem os entrevistados acreditam que vencerá a eleição, independentemente de sua preferência pessoal. Nesse quesito, 51% apontaram Flávio Bolsonaro como provável vencedor, ante 54% na pesquisa anterior.
Lula foi citado por 37%, percentual que permaneceu estável em relação ao levantamento divulgado na quarta-feira.
Esses números medem a percepção dos entrevistados sobre o possível resultado, e não a intenção de voto. Acreditar que um candidato vencerá não significa necessariamente votar nele.
A pesquisa ouviu presencialmente 3.702 brasileiros com 16 anos ou mais, entre sexta-feira (23) e sábado (24). A margem de erro informada é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09158/2026.
Na reta final da disputa, os dados mostram que o receio em relação aos dois projetos políticos continua elevado. Para além das expectativas eleitorais, cabe aos candidatos apresentar propostas claras e aos eleitores avaliar criticamente o que cada candidatura representa para o futuro do Brasil.




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