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Quase R$ 13 milhões para iluminar o Natal: enquanto isso, Barra Mansa espera respostas para saúde, educação, transporte e segurança

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
há 2 minutos
6 min de leitura

Luiz Furlani promete o maior Natal da história da cidade, mas contratação milionária levanta debate sobre prioridades. Professores enfrentam impasse com a Prefeitura, passageiros reclamam dos ônibus e três pessoas foram assassinadas no mesmo domingo de outubro.


O prefeito Luiz Furlani promete realizar o maior Natal da história de Barra Mansa. A cidade já começou a receber a decoração, e a administração municipal aposta em uma estrutura grandiosa para atrair moradores e visitantes. Mas, diante dos problemas enfrentados diariamente pela população, a promessa de uma festa milionária abre uma discussão inevitável: quais são, afinal, as prioridades do governo municipal?


A questão ganhou ainda mais importância depois da consulta aos registros da contratação da ornamentação natalina.


O Pregão Eletrônico nº 035/2026, da Fundação de Cultura de Barra Mansa, foi destinado à contratação de uma empresa para executar a ornamentação, iluminação e cenografia temática do Natal. O valor estimado era de R$ 13.225.587,99. O resultado aparece homologado em R$ 12.889.000.


Entre os itens previstos estão uma árvore de Natal musical, com valor homologado de R$ 1,7 milhão, além de estruturas como carrossel do Noel, Casa do Papai Noel e elementos luminosos espalhados pela cidade.


É importante esclarecer que valor homologado não significa que todo o montante já tenha sido pago. Mas significa que estamos diante de uma contratação pública de quase R$ 13 milhões, que precisa ser acompanhada e fiscalizada pela sociedade.


O Natal é uma tradição importante. A decoração pode movimentar o comércio, criar espaços de convivência e proporcionar lazer às famílias. Ninguém precisa ser contra uma cidade iluminada para questionar uma despesa dessa dimensão.


O que precisa ser explicado é por que uma estrutura tão cara foi colocada entre as prioridades da administração enquanto serviços essenciais continuam recebendo cobranças da população.


Quase R$ 13 milhões para algumas semanas de festa


Uma decoração natalina tem prazo limitado. Depois das comemorações, os enfeites são retirados e a cidade volta à rotina.


A saúde, a educação, o transporte e a segurança, por outro lado, precisam funcionar todos os dias do ano.


Por isso, a população tem o direito de perguntar: quanto custará efetivamente a operação? Qual será o período de exposição? Quais empresas executarão cada serviço? Como será feita a fiscalização? Qual retorno econômico está sendo projetado para o comércio local?


Não basta anunciar o maior Natal. É necessário demonstrar que o dinheiro público está sendo aplicado com transparência e responsabilidade.


Professores em conflito com a Prefeitura


Enquanto a administração prepara a festa de fim de ano, os profissionais da Educação enfrentam um dos mais sérios conflitos recentes com o governo municipal.


A greve começou em 26 de outubro, depois da aprovação da Mensagem nº 29/2026, encaminhada pelo prefeito e aprovada pela Câmara Municipal.


O principal ponto de discordância é a mudança na gratificação de regência. O percentual anteriormente previsto em 41% passou a ser tratado como um limite de até 41%, com possibilidade de definição anual pelo Executivo.


Para o Sepe, essa alteração retira uma garantia importante da remuneração e abre espaço para percentuais menores no futuro.


Em meio à mobilização, Furlani anunciou salário-base de R$ 5.130,63 para 2027. O sindicato, porém, questionou a apresentação do número, já que ele corresponde a uma jornada de 40 horas semanais, enquanto a jornada dos professores municipais é geralmente de 22 horas. Pela proporcionalidade, o valor para essa carga horária ficaria em aproximadamente R$ 2.821,85.


A Justiça determinou a suspensão da greve, estabelecendo multa de R$ 500 mil ao sindicato e R$ 5 mil aos diretores por dia de descumprimento. A decisão também prevê descontos proporcionais pelos dias de paralisação considerados ilegais.


Mas uma decisão judicial não resolve automaticamente o conflito. Os questionamentos sobre remuneração, direitos e condições de trabalho continuam exigindo respostas.


É legítimo perguntar: por que o governo consegue organizar uma contratação natalina de quase R$ 13 milhões, mas ainda não conseguiu construir um entendimento capaz de encerrar o impasse com os profissionais da Educação?


Transporte público: ônibus em condições questionadas pelos passageiros


O transporte coletivo também está entre as reclamações dos moradores.


Em julho, usuários denunciaram problemas em veículos da concessionária Triecon, incluindo remendos no teto, bancos quebrados, falhas no sinal de parada, cheiro de queimado e dificuldades mecânicas.


Uma passageira relatou ter esperado 45 minutos por um ônibus. Outro usuário contou que um veículo precisou ser substituído depois de apresentar problemas durante o trajeto.


A empresa apresentou sua versão à imprensa, informou que realizou reparos e afirmou manter manutenção preventiva e inspeções diárias. Também declarou operar 926 horários por dia, com algumas viagens eventualmente suprimidas.


A resposta da concessionária precisa ser considerada, mas não elimina a obrigação do poder público de fiscalizar o serviço.


Quem depende do ônibus para trabalhar, estudar ou chegar em casa não pode ficar à mercê de atrasos, veículos com problemas e horários insuficientes.


O transporte coletivo não é um luxo. É um serviço essencial para milhares de pessoas.


Saúde: nova UPA só deve ficar pronta em até 22 meses


Na saúde, Furlani assinou em 31 de outubro a ordem de serviço para a construção de uma nova Unidade de Pronto Atendimento no Centro.


O projeto prevê uma estrutura de 3.390,80 metros quadrados, com três pavimentos, atendimento adulto e pediátrico, raio-X, exames laboratoriais e farmácia. Segundo a Prefeitura, o prazo previsto para a conclusão é de até 22 meses.


É uma obra importante, mas existe uma questão que não pode ser ignorada: a população precisa de atendimento agora, não apenas de promessas para daqui a quase dois anos.


A administração precisa apresentar informações sobre filas de consultas e exames, disponibilidade de medicamentos, atendimento nas unidades e capacidade de resposta da rede municipal.


Também é necessário reconhecer as ações realizadas. Em outubro, a Prefeitura divulgou mutirões de cirurgias em parceria com a Santa Casa, incluindo 25 procedimentos em uma das etapas.


Mas ações pontuais e obras futuras não substituem a necessidade de uma rede de saúde funcionando adequadamente todos os dias.


A pergunta é simples: o que está sendo feito para melhorar a vida de quem procura atendimento hoje?


Segurança pública: três assassinatos no mesmo domingo


A segurança pública exige uma análise que considere tanto os indicadores oficiais quanto os episódios recentes que assustam os moradores.


Segundo dados do ISP-RJ divulgados em setembro, Barra Mansa registrou 22 ocorrências de homicídio nos primeiros sete meses de 2026, contra 33 no mesmo período de 2025. Isso representa uma redução de 33,3%.


Em agosto, os dados divulgados pela Prefeitura apontaram dois homicídios dolosos, contra oito no mesmo mês do ano anterior.


Esses números precisam ser apresentados com honestidade. Houve redução nos comparativos divulgados, e isso não deve ser escondido.


Mas também não se pode ignorar o que aconteceu em outubro.


No domingo, 18 de outubro, três pessoas foram assassinadas em Barra Mansa. Dois jovens, um adolescente de 16 anos e Arthur Machado Santos, de 19, foram mortos na Vila Independência. No mesmo dia, Flávio Henrique da Silva Custódio, de 39 anos, foi baleado no bairro São Francisco de Assis e morreu.


Três mortes violentas em um único domingo. Três famílias atingidas por uma tragédia que não pode ser tratada como simples estatística.


Os dados de janeiro a julho não representam o total do ano, e não existe, nas informações consultadas, um balanço oficial consolidado de janeiro a outubro que permita afirmar um número fechado de homicídios para todo esse período.


A redução em determinados indicadores é positiva, mas não significa que a preocupação com a violência tenha desaparecido. A população precisa de prevenção, investigação, policiamento e políticas permanentes de segurança.


A cidade precisa de prioridades que durem mais que o Natal


O prefeito Luiz Furlani tem o direito de apostar em uma grande celebração natalina. O comércio pode se beneficiar, as famílias podem aproveitar a decoração e a cidade pode receber visitantes.


Mas a administração também precisa responder às cobranças que se acumulam nos bairros.


Quase R$ 13 milhões em uma contratação natalina exigem transparência. Professores precisam de segurança salarial e negociação. Passageiros precisam de ônibus em condições adequadas. Pacientes precisam de atendimento. Moradores precisam de segurança.


O debate não é sobre ser contra o Natal. É sobre entender que uma cidade não pode ser administrada apenas para produzir imagens bonitas, inaugurações e eventos.


O maior Natal da história pode até ser uma marca da gestão. Mas a população também espera uma saúde que funcione, uma educação valorizada, um transporte digno e uma cidade onde as pessoas possam viver sem medo.


As luzes de Natal podem ficar acesas por algumas semanas. Os problemas da população continuam quando elas se apagam. E é justamente por isso que Barra Mansa precisa de respostas durante os 365 dias do ano, não apenas de uma grande festa em dezembro.

Foto Arquivo


 
 
 

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