Rússia admite ataque a Kiev com míssil hipersônico e eleva tensão nuclear no conflito com a Ucrânia
- Marcus Modesto
- 9 de jan.
- 3 min de leitura
A guerra entre Rússia e Ucrânia entrou em um novo e perigoso patamar nesta sexta-feira (9). Moscou confirmou ter realizado um ataque contra Kiev utilizando o sistema de mísseis hipersônicos Oreshnik, armamento capaz de transportar ogivas nucleares. O governo russo afirma que a ofensiva foi uma resposta a uma suposta tentativa ucraniana de atacar a residência do presidente Vladimir Putin em dezembro de 2025 — acusação rejeitada de forma categórica por Kiev.
De acordo com autoridades ucranianas, os bombardeios deixaram quatro mortos e ao menos 22 feridos. A Força Aérea da Ucrânia informou que, durante a madrugada, a Rússia lançou 36 mísseis e 242 drones contra diferentes regiões do país, caracterizando uma das maiores ofensivas aéreas dos últimos meses.
Apesar de o sistema Oreshnik ter capacidade nuclear, não há indícios de que os mísseis utilizados estivessem equipados com ogivas desse tipo. Ainda assim, o simples uso de um armamento com esse potencial reacendeu alertas internacionais sobre o risco de escalada do conflito.
Infraestrutura estratégica na mira
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que os ataques tiveram como foco a infraestrutura energética que sustenta o complexo militar-industrial ucraniano, além de instalações ligadas à produção de drones. Moscou sustenta que o acionamento do Oreshnik ocorreu após a alegada tentativa de ataque à residência oficial de Putin, versão que permanece sem comprovação independente.
Mísseis hipersônicos como o Oreshnik ultrapassam cinco vezes a velocidade do som, o que dificulta significativamente sua interceptação por sistemas de defesa aérea. Esse fator amplia não apenas o poder destrutivo, mas também o impacto psicológico e estratégico do armamento.
A Rússia havia utilizado o sistema Oreshnik pela primeira vez em novembro de 2024, em um ataque experimental contra uma fábrica localizada em Dnipro, no território ucraniano.
Ucrânia alerta Europa e Otan
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, classificou o ataque como uma grave ameaça à segurança europeia, sobretudo por ocorrer em uma região próxima às fronteiras da União Europeia e da Otan. Segundo ele, Kiev já compartilha informações detalhadas da ofensiva com os Estados Unidos e aliados europeus.
Sybiha também defendeu o aumento da pressão diplomática e política contra Moscou, alertando que o uso de armamentos desse porte representa um risco que extrapola as fronteiras da Ucrânia.
A acusação envolvendo a casa de Putin
A justificativa russa remonta a declarações feitas em dezembro pelo chanceler Sergei Lavrov, que acusou a Ucrânia de tentar atingir a residência de Putin, localizada na região de Novgorod, cerca de 500 quilômetros ao norte de Moscou. Segundo Lavrov, teriam sido lançados 91 drones de longo alcance contra o local em dois dias consecutivos.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, negou a acusação e a classificou como mentirosa, afirmando que Moscou usa narrativas fabricadas para legitimar ataques de grande escala e criar pretextos políticos para intensificar a guerra.
Impacto nas negociações de paz
A retomada dessa acusação ocorre em um momento sensível do cenário internacional. Um dia antes do ataque, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou estar próximo de apresentar um plano de paz para a Ucrânia, embora tenha admitido entraves importantes, especialmente relacionados ao controle de territórios ocupados.
A declaração foi feita após uma reunião de mais de duas horas com Zelensky, na Flórida. Para o governo ucraniano, a ofensiva russa e a justificativa apresentada por Moscou fazem parte de uma estratégia clara para sabotar avanços diplomáticos e preparar o terreno para novos ataques contra estruturas do Estado ucraniano.
O uso de um míssil com capacidade nuclear, ainda que sem ogiva, reforça o alerta de que o conflito segue em escalada e que a retórica militar da Rússia caminha em direção a um confronto de consequências imprevisíveis.




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