Rússia alerta para risco global com agravamento da crise entre EUA e Venezuela
- Marcus Modesto
- 17 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
O governo da Rússia elevou o tom nesta quarta-feira (17) ao afirmar que o aumento das tensões envolvendo a Venezuela pode gerar efeitos “imprevisíveis para todo o Ocidente”. A advertência foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores russo, em nota reproduzida pela agência estatal TASS, e ocorre em meio ao endurecimento da postura dos Estados Unidos contra o governo de Caracas.
A manifestação de Moscou acontece poucos dias após a confirmação de uma conversa telefônica entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. No diálogo, Putin reiterou apoio político à Venezuela diante da pressão crescente exercida por Washington.
Bloqueio americano eleva tensão diplomática
O novo posicionamento russo veio logo após o anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de um bloqueio total a petroleiros ligados à Venezuela que estejam sob sanções. Na terça-feira (16), Trump afirmou que o país sul-americano estaria “completamente cercado”, ampliando o cerco econômico e diplomático.
Informações divulgadas anteriormente indicam que forças militares norte-americanas já teriam interceptado e apreendido uma dessas embarcações, fato que intensificou o confronto e acendeu o alerta para possíveis desdobramentos internacionais.
Alinhamento entre Moscou e Caracas
O apoio russo ao governo de Nicolás Maduro não é recente. Desde o início da ofensiva americana, Moscou vem se posicionando contra as ações dos EUA, que acusam o presidente venezuelano de liderar um cartel de drogas — argumento utilizado pela Casa Branca para justificar sanções mais severas.
No início de novembro, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, já havia declarado que o país estava disposto a atender pedidos de ajuda feitos por Caracas, reforçando a parceria estratégica entre os dois governos.
Contexto se cruza com guerra na Ucrânia
A fala dura da Rússia sobre a Venezuela ocorre em um momento sensível da política internacional. Paralelamente, os Estados Unidos intensificam a pressão para que Moscou aceite um acordo de paz que coloque fim à guerra na Ucrânia.
Segundo a agência Bloomberg, Washington avalia a aplicação de novas sanções contra o setor energético russo, numa tentativa de aumentar o custo econômico do conflito e forçar avanços nas negociações. Questionado sobre o tema, o Kremlin afirmou que medidas desse tipo dificultam qualquer tentativa de reaproximação entre russos e americanos.
Rejeição a tropas estrangeiras na Ucrânia
O governo russo também comentou informações publicadas pelo jornal The New York Times sobre uma proposta de paz americana que incluiria garantias de segurança à Ucrânia, entre elas a formação de uma força militar liderada por países europeus.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reiterou que a Rússia mantém posição contrária à presença de tropas estrangeiras em território ucraniano. Segundo ele, o tema pode ser discutido, mas a linha adotada por Moscou segue inalterada.
Peskov acrescentou que não há previsão de visita do enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, à capital russa nesta semana, e que a Rússia deverá apenas receber informações sobre o andamento das conversas entre Washington e Kiev.




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