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Rússia coloca míssil hipersônico Oreshnik em operação e eleva tensão no conflito com a Ucrânia

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 30 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

O Ministério da Defesa da Rússia anunciou nesta terça-feira (30) que o míssil hipersônico Oreshnik, capaz de transportar ogivas nucleares, passou a integrar oficialmente o arsenal ativo das Forças Armadas. A informação surge em um momento de forte instabilidade diplomática, enquanto tentativas internacionais de encerrar a guerra na Ucrânia seguem travadas em pontos considerados decisivos.


De acordo com o governo russo, militares participaram de uma cerimônia simbólica na Belarus, país aliado de Moscou, onde o sistema foi instalado. As autoridades não revelaram o número de mísseis posicionados nem divulgaram dados técnicos detalhados sobre o funcionamento do armamento.


Uma arma estratégica da nova corrida armamentista


Classificado como míssil hipersônico, o Oreshnik ultrapassa cinco vezes a velocidade do som, característica que dificulta sua detecção e neutralização por sistemas de defesa tradicionais. Esse tipo de tecnologia tem ganhado destaque na atual corrida armamentista global, justamente por seu potencial de alterar o equilíbrio militar entre grandes potências.


O sistema foi utilizado pela primeira vez em novembro de 2024, quando a Rússia realizou um disparo experimental contra uma instalação industrial em Dnipro, no território ucraniano. A ação marcou a estreia do míssil em um contexto real de guerra.


O presidente Vladimir Putin já havia sinalizado, no início de dezembro, que o Oreshnik entraria em operação ainda neste mês. Na ocasião, ele afirmou que a Rússia ampliaria seus avanços territoriais caso Kiev e os países ocidentais não aceitassem as condições impostas pelo Kremlin.


Diplomacia fragilizada e impasses persistentes


A confirmação da ativação do míssil ocorre em meio a negociações diplomáticas marcadas por desconfiança e poucos avanços. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou recentemente que russos e ucranianos estariam próximos de um acordo, mas reconheceu que as conversas, mediadas por Washington, continuam sob risco de colapso.


Entre os principais entraves estão a exigência de retirada das tropas russas de áreas ocupadas e o destino da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014 e considerada estratégica tanto militar quanto politicamente.


Alcance intermediário e tratados abandonados


O Oreshnik se enquadra na categoria de mísseis de alcance intermediário, capazes de atingir alvos entre 500 e 5.500 quilômetros de distância. Esse tipo de armamento era proibido por acordos firmados durante a Guerra Fria, abandonados por Estados Unidos e Rússia em 2019, abrindo espaço para o desenvolvimento de novos sistemas.


Autoridades militares russas afirmam que o míssil pode carregar ogivas convencionais ou nucleares e tem alcance suficiente para atingir diversos países europeus.


Demonstração de força no campo militar


Putin tem reforçado o discurso de que a Rússia negocia em posição de vantagem. Em reunião recente com comandantes militares, destacou a criação de zonas de proteção ao longo das fronteiras e afirmou que as tropas avançam em Donetsk e intensificam operações na região de Zaporizhzhia.


O presidente também exaltou o desempenho do Oreshnik, dizendo que suas ogivas múltiplas atingem alvos a velocidades de até 12 mil quilômetros por hora e que o sistema seria impossível de interceptar. Ele ainda advertiu que o míssil poderá ser usado contra países da Otan que autorizem a Ucrânia a empregar armas de longo alcance contra o território russo.


A entrada em operação do Oreshnik acrescenta um novo fator de pressão militar ao conflito, elevando os riscos estratégicos em um cenário no qual a diplomacia segue sem uma solução clara à vista.



 
 
 

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