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Real é a quarta moeda que mais se valorizou frente ao dólar em 2025, aponta levantamento da Austin Rating

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 14 de mai. de 2025
  • 3 min de leitura

O real ocupa a quarta posição entre as moedas que mais se valorizaram frente ao dólar em 2025, de acordo com um levantamento divulgado nesta terça-feira (13) pela agência de classificação de risco Austin Rating. O estudo analisou o desempenho de 118 moedas no acumulado do ano, com base em dados do Banco Central do Brasil.


A moeda brasileira apresentou valorização de 10,1% frente ao dólar, atrás apenas do rublo russo (34,2%), do cedi de Gana (16,6%) e da coroa sueca (13,5%). No total, 72 moedas se valorizaram no mesmo período, enquanto 26 registraram desvalorização. Outras 20 mantiveram estabilidade.


Entre os piores desempenhos do ranking estão o peso argentino, com queda de 8,3%; o dinar líbio, com 11% de desvalorização; e o bolívar soberano da Venezuela, que despencou 44,2%, ficando na última posição da lista.


Nesta terça-feira, o dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,6086. Já a taxa de câmbio Ptax — usada como base para o ranking — foi de R$ 5,6256.


Fatores que impulsionam o real


O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, destaca quatro principais razões para o bom desempenho da moeda brasileira no cenário internacional:


1. Redução na percepção de risco externo

A manutenção dos juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed), somada a dados de inflação mais brandos do que o esperado, elevou o otimismo do mercado em relação a uma possível redução da taxa básica americana já em julho. Esse cenário favorece moedas de economias emergentes, como a do Brasil.


2. Trégua tarifária entre Estados Unidos e China

A decisão das duas maiores economias globais de suspender, por 90 dias, as tarifas recíprocas sobre produtos reduziu as tensões comerciais e impactou positivamente os mercados internacionais. Segundo Agostini, a medida continua reverberando entre investidores e fortalecendo moedas de países em desenvolvimento.


3. Melhora pontual na percepção fiscal do Brasil

Apesar das dificuldades nas contas públicas, os últimos resultados fiscais surpreenderam positivamente o mercado, gerando alívio momentâneo quanto ao risco fiscal. Agostini pondera, no entanto, que a valorização poderia ser ainda maior se houvesse mais confiança na política econômica do governo.


4. Atratividade do diferencial de juros

A taxa Selic permanece em 14,75% ao ano — a mais alta em duas décadas — enquanto os juros nos Estados Unidos oscilam entre 4,25% e 4,50%. Essa diferença mantém o Brasil atrativo para investidores internacionais que buscam maior retorno financeiro.


Desempenho regional e global


Na América Latina, o desempenho das moedas tem sido desigual. Enquanto o real avança, o peso argentino segue em queda, pressionado pela instabilidade política e pelos desequilíbrios econômicos. O bolívar venezuelano continua afundando em meio à crise crônica que atinge o país há anos.


O levantamento ainda mostra que 20 moedas se mantiveram praticamente estáveis no período, com variação mínima em relação ao dólar.


As dez moedas mais valorizadas frente ao dólar em 2025:

1. Rublo russo – +34,2%

2. Cedi de Gana – +16,6%

3. Coroa sueca – +13,5%

4. Real brasileiro – +10,1%

5. Rupia indiana – +9,2%

6. Dólar taiwanês – +8,5%

7. Franco suíço – +7,3%

8. Yuan chinês – +6,9%

9. Zloty polonês – +6,5%

10. Dólar canadense – +6,1%


A posição do real no ranking reflete não apenas fatores internos, como a política monetária, mas também o cenário internacional e a sensibilidade do mercado às expectativas sobre juros e acordos comerciais. Ainda assim, especialistas alertam que a estabilidade da moeda dependerá da manutenção de políticas econômicas sólidas e do compromisso com o equilíbrio fiscal.


 
 
 

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